No caderno comemorativo dos 60 anos do excelente Porto & Mar do jornal A Tribuna de Santos, publicado na edição de 25 de setembro de 2012, afirmei que desde menino sou leitor da seção que, através das suas páginas, conta a história do Porto de Santos. E gosto de recortar – e recordar – matérias interessantes.

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Guardei uma matéria muito curiosa, assinada pelo jornalista Francisco de Azevedo, o criador do Porto & Mar, datada de 1º de outubro de 1952, que conta o gigantesco consumo de bordo do transatlântico italiano Giulio Cesare, gêmeo do Augustus, em uma viagem redonda – completa, de ida e volta – de 34 dias, reproduzida a seguir.


 

 

 

O ano de 1952 foi um ano em que os aviões começam a ameaçar os navios de passageiros. Muitos viajantes faziam percurso marítimo na ida e na volta aéreo. Até que a patir de 1958 os viajantes passaram a preferir o avião ao navio. Reprodução.

 

 

 

 

 

Eis o texto:

 

 

Noventa mil ovos gasta o “Giulio Cesare” numa viagem redonda

 

Tudo se exprime por toneladas no aprovisionamento do transatlântico italiano – 30 mil quilos de carnes, 26 mil de verduras e 24 mil litros de vinho. Tudo isso é devorado por 2.500 pessoas, em 34 dias.

 

Os dois maiores navios que transitam, atualmente, por nosso porto, são o “Augustus” e o “Giulio Cesare”, um e outro de 27 mil toneladas.

 


O transatlântico italiano Giulio Cesare (1951-1972), passando pela famosa Ponta da Praia em Santos. O consumo de bordo era impressionante. Numa viagem redonda - Itália-América do Sul/Itália
(34 dias), o consumo era impressionante. Só de vinho era
consumido 24.000 litros. Foto: J.C. Rossini.

 

Se esses transatlânticos ainda são pequenos em confronto, já não dizemos com o “Queen Elizabeth”, o “Queen Mary” e o novo “United States”, mas um “Liberté”, um “Ile de France”, um “Mauretania”, ou um “Nieuw Amsterdam”, nas linhas da América do Sul, são eles os gigantes das frotas de passageiros.

 

Cada chegada do “Augustus” ou do “Giulio Cesare” no porto constitui acontecimento excepcional, não só em Santos, como na Capital, de onde desce, já de vésperas, uma grande multidão.

 


O bonito perfil do Augustus, gêmeo do Giulio Cesare, media
207,37 metros de comprimento e deslocava 27.090 toneladas.
Fez viagem inaugural em 1952. Col. do autor

 

Em torno dos navios tem-se feito sempre vasto noticiário, senão mesmo reportagens para destacar a sua imponência, o seu luxo, e as suas rápidas encantadoras travessias.

 

Faltava dizer em que quantidade qualquer uma dessas cidades provê alimentos para cada viagem redonda, ou seja de Gênova a Buenos Aires e vice-versa.

 

A esse respeito, os números também deveriam impressionar. Para conhecê-los estivemos anteontem pelos depósitos do “Giulio Cesare” e com o seu “maestro di casa” Egidio Amoretti, homem que está no mar desde 1911, e que fez as duas guerras, sendo que na de 1914-1918 por duas vezes foi ao fundo e por duas vezes foi salvo no Mediterrâneo.


O Augustus em manobra de atracação no Porto de
Santos - 1952. Foto: José Dias Herrera. Col. do autor.

Clique aqui para ler a segunda parte deste artigo.

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