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Seus primeiros comandantes foram Antonio Luiz de Gouvêa e Germano Rauert.

 

Navegou regularmente entre Florianópolis e o Rio de Janeiro por 12 anos, até 19 de setembro de 1939, quando se chocou com uma laje na Armação da Piedade, no litoral de Santa Catarina, seus passageiros sendo recolhidos pelo vapor D. Pedro I, do Lloyd Brasileiro, que os transportou para Santos e Rio de Janeiro.

 

Novo incidente aconteceu 17 anos mais tarde, em 27 de setembro de 1956, quando o Carl Hoepcke navegava a 28 quilômetros de Santos, com 134 passageiros e 34 tripulantes, e teve início um incêndio, sendo o primeiro a socorrê-lo o navio inglês lança-cabos Norseman, da Western Telegraph, que salvou 74 passageiros, seguido pelo paquete Itaquatiá, da Companhia Nacional de Navegação Costeira, que salvou seus tripulantes e o resto dos passageiros. Houve apenas uma vítima a lamentar.

 


O Anna atracado no armazém 03 da Cia. Docas de Santos, nas
proximidadades da casa de força, que fornecia pressão aos guindastes
hidráulicos. Ao fundo, o Monte Serrat. Início dos anos 1930.
Acervo: Wanderley Duck.

 

O Carl Hoepcke foi levado para Santos pelo rebocador Sabre, da Wilson Sons, e encalhado propositalmente no estuário, em Conceiçãozinha, nas proximidades do Guarujá.

 

Houve vários intentos para reflutuá-lo e, finalmente, devido à sua precária condição de flutuabilidade, foi levado a Florianópolis encostado no Anna.

 

Sua chegada foi assim descrita por João Eduardo Moriz, citado na obra Carl Hoepcke: a Marca de um Pioneiro:

 

“Foi a coisa mais triste que houve. Todo mundo gostava desse navio, era como se fosse um parente. Então a Ponte Hercílio Luiz ficou lotada de curiosos para ver a chegada do navio. Parecia um enterro. Todo mundo ficou tomando conta dele. Até se revezavam à noite...”

 

Reformado no Estaleiro Arataca e transformado em cargueiro, serviu ainda alguns anos, até ser vendido à Companhia Armadora Brasileira, que o rebatizou Pacaembu e o utilizou até 1970, quando, sem condições de navegar, foi transformado em boate flutuante, e ancorado na Barra de Santos, na Ponta dos Limões, com o nome de Recreio.

 

Em 28 de fevereiro de 1971, devido a uma forte ventania, soltou-se da âncora e foi encalhar na Ponta da Praia, perto do Aquário Municipal.

 

Segundo Armando Akio, em texto em parceria com Laire José Giraud na matéria “Transatlântico encerrou a carreira como boate”, publicada no jornal santista A Tribuna, em 25 de maio de 1997:

 

“Durante meses, o Recreio foi atração turística, visto por milhares de pessoas, entre elas a atriz Leila Diniz e outros artistas que participavam do Festival de Cinema de Santos, no antigo Parque Balneário Hotel. A Marinha determinou que o navio deveria deixar o local, mas os rebocadores não conseguiam levá-lo de volta para o mar e a solução foi desmontar a embarcação.”

 

Devido ao declínio da atividade naval dos portos de Santa Catarina, particularmente o de Florianópolis, em 1964 a Empresa Nacional de Navegação Hoepcke vendeu sua frota.

 

O edifício da Companhia Hoepcke – onde funcionavam a administração, os armazéns de mercadorias e era mantido um trapiche, em São Francisco do Sul, às margens da Baía de Babitonga –, uma das mais importantes edificações do centro histórico daquela cidade, sedia, desde 1991, o Museu Nacional do Mar / Núcleo das Embarcações Brasileiras, que exibe nos antigos galpões mais de 50 embarcações.

 

Em 7 de junho de 2004, foi fundado em Florianópolis o Instituto Carl Hoepcke, para atividades culturais e a preservação do patrimônio histórico legado por Carl Franz Albert Hoepcke.

Quem tiver interesse, poderá ir à Ponta da Praia e observar os destroços do Recreio, que ostentou no casco Carl Hoepcke como primeiro nome, e relembrar a história do navio...

Enquanto os destroços não forem definitivamente retirados e sempre que ressurgirem com a maré baixa, vão trazer à memória os episódios que envolvem os 44 anos de atividades do navio e a sua história após o encalhe na Ponta da Praia...

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