Sempre admirei os trabalhos do jornalista Olao Rodrigues, principalmente os que se referem ao passado da Cidade de Santos, preservados em textos do jornal A Tribuna dos anos 1960 e 1970.

Leia também
* Na Época dos Bondes
* História e utilização dos bondes

Também admiro as obras da sua autoria – verdadeiras raridades! –, como os famosos Almanaques de Santos e o livro Nos Tempos de Nossos Avós (1976).


Cartão-postal do Largo do Rosário, hoje Praça Ruy Barbosa, ponto final
de diversas linhas de bondes movidos a tração animal. Por volta de 1908.
Ao fundo, a antiga agência dos Correios, que funcionou até 1924. O
prédio, embora descaracterizado, ainda existe. Col. do autor.

Como admirador de navios e de tudo que se refere aos portos do Brasil e do mundo, por extensão também sou apreciador dos variados meios de transporte, com destaque para os bondes, que tiveram presença marcante na Cidade e estão preservados, felizmente para sempre, nos escritos de inesquecíveis pessoas que não estão mais entre nós, como o poeta Narciso de Andrade (1925-2007), o professor Nelson Salasar Marques (falecido em 2005), o professor Milton Teixeira, falecido recentemente, neste ano de 2012, o pesquisador e historiador Jaime Mesquita Caldas (falecido em 2009) e o professor e pesquisador Waldir Rueda (1966-2011).

Rueda deixou um belíssimo trabalho sobre o melhor transporte que Santos já teve em todos os tempos – o bonde!


Uma foto rara de bondes de duas eras, um elétrico e outro puxado a
burros na Ponta da Praia de Santos por volta de 1915. Col. do autor.

Infelizmente Waldir veio a falecer e o seu grande sonho, de ver o livro publicado, não chegou a ser concretizado. Quem sabe, um dia uma editora se interessa...

Também não podem ser esquecidos os artigos e lembranças da historiadora Wilma Therezinha Andrade e da professora Clotilde Paul, que nos brindaram com textos maravilhosos sobre bondes.


O cartão-postal de J. Marques Pereira mostra um bondinho puxado a
burros passando pela Rua Amador Bueno, no trecho entre as ruas
Martim Afonso e Itororó. Ao fundo, à esquerda da imagem, o prédio
do tradicional Centro Português de Santos. Por volta de 1907. Col. do autor.

Recentemente, folheando a obra Nos Tempos de Nossos Avós (Santos de Ontem), deparei com um texto curto e objetivo de Olao Rodrigues sobre os bondes puxados a burros, mais conhecidos na época como bondinhos de burro.

* Clique aqui para ler "Bondinhos de Burros", por Olao Rodrigues

As lembranças dos bondes elétricos me levam ao distante ano de 1954. Me lembro de quando a minha mãe me conduziu ao ponto, no Canal 5 de Santos, para apanhar o bonde 4 e seguir sozinho, com destino ao Centro, mais precisamente à Praça Mauá, onde o meu pai, com um sorriso estava à minha espera...


Um bondinho puxado a burros que circulou na Cidade de São Vicente
no início do século XX. Imagem enviada por Wanderley Duck.

Viajar de bonde desacompanhado era a minha grande ambição, assim como era a de outros meninos!

Com o retorno do bonde como meio turístico, percorrendo o Centro Histórico de Santos, os meninos de hoje podem sentir a mesma emoção que tive...


Os bondes elétricos começaram a circular em 1909. Cartão-postal da
pintura do pintor britânico Charles E. Flower, que fazia trabalho para a
armadora Royal Mail Steam Packet (navios: Avon, Aragon, Almanzora e outros). Essas pinturas eram transformadas em postais, que eram distribuídos aos passageiros. Ao fundo, a estação da Cia. City. por volta de 1912. Col. do autor.

Boa viagem!

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