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Como queria viajar de navio, custasse o que custasse, consegui trocar minha passagem aérea para o Rio, num voo pela Alitalia para Montevidéu e lá embarquei no Federico C, pois o Eugenio C tinha já saído semanas antes numa de suas viagens chamadas inaugurais. Menos mal. Viajei num belo navio na primeira classe.
 
O Austral não teve muita sorte também, pois em dezembro daquele ano pegou fogo em Santos, sendo dado como perdido. Foi uma grande perda. Era um ótimo navio.


O cargueiro chileno Austral, navio em que Bloomfield deveria ter vindo
de Valparaíso, no Chile, para o Rio de Janeiro. Foto tirada durante o
incêndio  que praticamente o destruiu.

O AUSTRAL – por J. C. Rossini
O navio Austral atracou em Santos no dia 27 de dezembro de 1966, procedente do Chile, via Rio da Prata, com carga geral e 3.109 toneladas de salitre.

Levava a bordo também uma partida de moedas divisionárias cunhadas pela Casa da Moeda do Chile para o governo da República Oriental do Uruguai e condicionadas em 950 caixas, que seriam desembarcadas na viagem sul em Montevidéu.

Depois de descarregar o salitre, o Austral deveria zarpar para o Rio de Janeiro e proceder a descarga de vários gêneros.

Às 14h28 do dia 2 de janeiro de 1967, uma segunda-feira, irrompeu um incêndio no porão 4 do navio, atracado junto ao cais do Armazém 25.

O fogo teve início em uma lingada de sacos de salitre do Chile que estava sendo descarregada. Alguns sacos em chamas caíram no interior do porão, alastrando-se assim o fogo por toda a carga.


O rebocador Saturno, da empresa Wilson,Sons S/A, foi um dos que participou
na operação de rescaldo do Austral. Ao fundo, vemos o navio Cantuária do Lloyd
Brasileiro. Acervo de J. C. Rossini - Genebra-Suíça.

Em poucos minutos as labaredas atingiram cerca de 30 metros de altura, ultrapassando mesmo a extremidade dos mastros e paus de carga do navio e, como fosse impossível extingui-las, o Austral foi desatracado e rebocado até Conceiçãozinha, na outra margem do estuário, na altura do Armazém 29.

Sucessivas explosões fizeram com que as chamas se propagassem, atingindo o porão 5 e a casa das máquinas, situada anexa ao porão onde o sinistro se iniciou.

Por determinação da Capitania dos Portos, o canal do estuário foi imediatamente interditado, enquanto os rebocadores Saturno e Saboó (da Companhia Docas de Santos – CDS e da Wilson Sons) combatiam o incêndio, lançando também jatos de água contra a superestrutura do cargueiro, que, devido à alta temperatura, ameaçava desintegrar-se.

O incêndio só foi totalmente debelado por volta das 6 horas da manhã do dia 3 de janeiro e, devido às explosões ocorridas na altura da casa das máquinas, quando o fogo lavrava mais intensamente, soltaram-se dezenas de rebites do casco, possibilitando a entrada de água nos porões.

Com isso o Austral adernou consideravelmente para bombordo.

Na manhã do dia 4 de janeiro, o fogo voltou a arder na altura da casa das máquinas e os bombeiros foram obrigados a retornar ao navio para combate; no final da tarde do mesmo dia, o adernamento acentuara-se e a popa já estava ao nível da água.

Três tripulantes ficaram feridos na fuga precipitada de todos quando irrompeu o incêndio. A tripulação total era de 45 homens, comandados por Umberto Cárdenas Hurriaga.

O Austral ficou praticamente destruído, dele restando somente o casco e um monte de ferros retorcidos e enegrecidos.

As origens do incêndio foram atribuídas à combustão espontânea.

Um inquérito foi aberto em 31 de janeiro de 1967.

As caixas contendo as moedas uruguaias foram retiradas após, felizmente intactas, e o Austral, posteriormente desmontado em Santos, pela empresa Grieves.

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