O transatlântico português ‘Serpa Pinto’, durante os 14 anos em que pertenceu à Companhia Colonial de Navegação (CCN), ficou conhecido como o Navio da Amizade, ligando Brasil e Portugal na década de 1940 e na primeira metade dos anos 1950.

 


Cartão-postal oficial do transatlântico português
’Serpa
Pinto’, que durante 14 anos trouxe numerosos
imigrantes
portugueses para o Brasil. (Reprodução:
Acervo L. J. Giraud)

 

No período, o ‘Serpa Pinto’ teve a concorrência de outras embarcações, no tráfego luso-brasileiro, mas que não conquistaram a simpatia dos portugueses residentes nos portos nacionais de escala, como Santos e Rio de Janeiro.

A concorrência não era reduzida. Além do ‘Serpa Pinto’, navegavam por águas brasileiras os navios ‘Mouzinho’, ‘Colonial’, ‘Pátria’ e ‘Império’, da Companhia Colonial de Navegação; ‘Nyassa’, ‘Quanza’ e ‘Angola’, da Companhia Nacional de Navegação; além do conhecido luso-panamenho ‘North King’.

Durante os 14 anos em que funcionou como uma ponte de amizade entre os povos brasileiro e português, o ‘Serpa Pinto’ transportou 110 mil passageiros e foi um dos mais populares transatlânticos da época.

Um dos práticos de Santos preferidos pelos navios portugueses, Gérson Fonseca, já falecido, lembra que o primeiro navio em que embarcou como ajudante de prático foi justamente o ‘Serpa Pinto’, na época da Segunda Guerra Mundial. Em várias ocasiões, ele respondeu, já como prático, pela entrada ou saída da embarcação do porto.


O ’Serpa Pinto’, durante a Segunda Guerra Mundial, mostrava
no casco, em letras grandes, o nome e o país de origem,
Portugal, para evitar ataques por navios ou submarinos do
Eixo. Portugal era neutro. (Reprodução: Internet)

 

Sem despedida

Curiosamente, na última viagem do ‘Serpa Pinto’ ao Brasil, os portugueses de Santos e outros admiradores não sabiam que era a derradeira.

Ele deixou Lisboa em 9 de julho de 1954, passou pela Cidade no dia 23 e alcançou a capital portuguesa em 9 de agosto, sem se despedir da comunidade que tanto o amou.

Na última escala em Santos, estavam atracados ao lado do ‘Serpa Pinto’ o ‘Provence’, de bandeira francesa, e o holandês ‘Boissevain’.

A construção de modernos navios, como o ‘Vera Cruz’ e o ‘Santa Maria’, fez com que o ‘Serpa Pinto’ ficasse tecnologicamente ultrapassado, mas jamais esquecido pelos portugueses e por outros interessados em transatlânticos.

O destino do ‘Serpa Pinto’ foi a sucata. Em 6 de setembro de 1955, ele zarpou de Lisboa rumo à Bélgica, para onde seguiu rebocado, para desmonte.

 


Anúncio da Cia. Comercial e Marítima,

representante da Companhia Colonial
de
Navegação, de Lisboa, mostrando
a última
saída de Santos do ’Serpa
Pinto’, em julho
de 1954.
(Reprodução: Arquivo A Tribuna)

  

Um dos comandantes do ‘Serpa Pinto’ foi o famoso comandante Ambrósio Ramalheira, que comandou também outros navios da Companhia Colonial de Navegação, entre eles o inesquecível ‘Vera Cruz’.

Em 1940
O ‘Serpa Pinto’, quando adquirido pela Companhia Colonial de Navegação, em 1940, já tinha 25 anos de existência. Ele chegou a Lisboa em 19 de abril de 1950.

A CCN adquirira a embarcação do Lloyd Iugoslavo, que batizara o navio com o nome de ‘Princesa Olga’, em 1935, ano da aquisição junto à armadora original.

A primeira viagem do ‘Serpa Pinto’ a serviço da CCN foi para as colônias portuguesas na África. A primeira viagem ao Brasil ocorreu a partir de 14 de agosto de 1940, quando deixou Lisboa, com escalas em Funchal, São Vicente (Cabo Verde), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP). Em 1942, Buenos Aires, na Argentina, passou a fazer parte do trajeto.


A imagem mostra passageiros a bordo do famoso navio português,

que fez incontáveis escalas no Brasil. (Reprodução: Internet)

 

Origens

A história do ‘Serpa Pinto’ tem início em 1915, quando começou a navegar, com o batismo de ‘Ebro’, a serviço da Royal Mail, da Grã-Bretanha.

O estaleiro construtor foi o Workman & Clark, de Belfast, Grã-Bretanha. Ele tinha 137 metros de comprimento por 17 de boca (largura). A velocidade média era de 14 nós (26 km/h).

A capacidade de passageiros era de 500, dos quais 250 na primeira classe e os demais 250 na segunda.

Veja mais imagens:


Imagem do ’Serpa Pinto’ no Porto de Santos em 1952,
publicada no Porto & Mar do jornal A Tribuna, de Santos:
tripulantes fazendo a manutenção de pintura do casco.
(Reprodução: Acervo A Tribuna)


O ’Serpa Pinto’ no estuário do Porto de Santos, em 1950,
passando em frente ao local onde hoje é o Terminal Marítimo
de Passageiros do Concais, vendo-se à direita a famosa torre
de alta tensão da Companhia Docas de Santos, que ainda
está no local. (Reprodução: A Tribuna)


Cartão-postal, mostrando o ’Serpa Pinto’ pela popa (ré),
atracado junto ao antigo Armazém de Bagagem da Cia. Docas
de Santos, em 1950. (Reprodução: Acervo João Augusto da Silveira)


Maquete do transatlântico ’Serpa Pinto’, exposta no Museu de Marinha
em Lisboa, Portugal. Vale lembrar que o ’Serpa Pinto’ é um dos navios
mais lembrados em Santos. Imagem de 1998 (Reprodução: Foto L. J. Giraud)


Duas gerações de transatlânticos portugueses, o ’Vera Cruz’ e o
’Serpa
Pinto’ nos anos 50. Foto da exposição fotográfica ’O Navio
Mercante em Portugal No Século XX’, na Gare Marítima de Alcântara,
Lisboa, de 29 de setembro a 5 de outubro de 1994, coordenada pelo
escritor de transatlânticos Luis Miguel Correia. (Reprodução)


Fotografia tirada no restaurante Caes, de Lisboa, vendo-se nas extre-
midades da mesa o casal Luisa e Gabriel Lobo Fialho, diretor da Revista
de Marinha; ao fundo, o pesquisador marítimo José Carlos Rossini e o
autor; o jovem é Gustavo Giraud. Imagem obtida após visita ao Museu
de Marinha, na época da Expo 98. (Reprodução: Foto L. J. Giraud)

Em tempo

No último sábado (4) casaram-se o jornalista Armando Akio e a médica Andréa Cerqueira Passos. A cerimônia foi realizada na Igreja Presbiteriana Jardim da Oração de Santos e celebrada pelo reverendo Marcio Rogerio Biz. A eles, votos de eterna felicidade da coluna Recordar.

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