Após a grande repercussão do artigo "Práticos, duas gerações", publicamos algumas passagens do conhecido prático santista Ismael Castanho. Quem conta os detalhes é José Carlos Rossini, que possui grande admiração pela conduta profissional de Castanho.

O prático Antonio Reis Castanho Filho foi o genitor de Ismael Castanho, nascido em Santos em 18 de julho de 1928. Ismael herdou do pai o amor ao mar e aos navios.


O prático Ismael Castanho, no momento em que passava da lancha da
 Praticagem para embarque num determinado navio. A subida pela
escada de quebra-peito (nome da escada de acesso a bordo) é uma
verdadeira escalada - 2002. Acervo: Ismael Castanho.

Quando tinha 8 anos de idade, Ismael – trajado de marinheiro – foi levado pelo pai, para conhecer o transatlântico alemão Cap Arcona, um dos mais luxuosos navios de passageiros, embarcação que trafegava na linha Hamburgo–Buenos Aires e portos intermediários de escala, como exemplo - Rio de Janeiro e Santos.

Fez o Primário no Colégio do Carmo e o curso ginasial no Colégio Santista.

Por indicação do pai, Ismael Castanho foi admitido na Praticagem santista, em 1948, como auxiliar de escritório. Era o período pós-guerra, e o Porto de Santos voltava a ter expressivo movimento de navios, de todos os tipos!


Numa reunião de práticos, vemos Castanho entre Gerson da Costa Fonseca
e Frederico S. Bento, já falecidos - meados de 1960. Acervo: Arlete Fonseca

Ismael, sempre fiel à Praticagem, situada na Avenida Saldanha da Gama, 64, finalmente realizou o grande sonho em 1957.

Foi admitido, após exames, como praticante de prático e, dois anos mais tarde, conquistou a carta de prático, após fazer o exame final a bordo do Itahité, da Companhia Nacional de Navegação Costeira, que consistiu em uma desatracação de navio do Cais do Armazém 6 da Companhia Docas de Santos (CDS), a empresa particular que administrou o porto de 1890 a 1980.


Castanho retorna para a Ponta da Praia a bordo da inesquecível lancha 25 de
Janeiro, mais precisamente para a antiga Ponte dos Práticos, após orientar
a manobra de atracação e conduzir com segurança um dos mais céleres
transatlânticos em todos os tempos: o italiano Giulio cesare. Início
de 1970. Acervo: Wanderley Duck

Ao longo da longa carreira de mais de 50 anos, Ismael manobrou milhares de navios. Foi prático preferencial das companhias armadoras Hamburg Sud, Ybarra e Linea C.

Manobrou navios de passageiros importantes, grandes frequentadores do cais de Santos, como: Ana C, Federico C, Enrico C, Eugenio C, Alcantara, Andes, Higland Princess, Argentina, Cabo de San Roque e Cabo San Vicente.

Naturalmente, como prático também manobrou cargueiros, belonaves e navios- tanque de todas as bandeiras.


O transatlântico Enrico Costa, ex-Provence, está na lista dos navios
manobrados por Castanho - década de 1980. Acervo: Edson Lucas.

Foi colega dos práticos: José Console, Frederico S. Bento, Mario de Azevedo, Carlos Stein, Aquiles Tacão, Alberto Carlos Praça, Felipe Schechter, José Domingos da Silveira, Raul Marinho de Mesquita, Teophilo Quirino, Dino Caltabiano,  Celso F. dos Santos, Antonio Lopes, João Acioly Nogueira, Milton Console, Eddio Portugal Marinho, Edmar Botto de Melo,Waldir c. da Silva, André Poyart,Cláudio Paulino, Carlos Sofiatte,Victorino Beber Filho, Paulo Gonçalves Esteves, Fábio Mello Fontes, entre outros – a lista é longa.

Castanho – como é chamado por todos que o conhecem, hoje com a respeitável idade de 83 anos – continua apaixonado pelo mar e por navios, bem como pela História Marítima.


O Guanabara, do extinto Lloyd Brasileiro, entrando em Santos no final
dos anos 60 do século passado. Foi manobrado diversas vezes por Ismael
Castanho. Foto: José Dias Herrera. Coleção: Laire J. Giraud

Recorda-se com orgulho da sua participação decisiva no desencalhe do navio Lorina, que encalhou em 1977 nas rochas do Morro do Japuí, na Baía de Santos, onde teve as amarras partidas das âncoras, após grande tempestade. Participou de desencalhes de outros navios - Marucla, Cap Verde, Norwalk e Mormackmail.

O momento mais glorioso como prático ocorreu em julho de 2000, quando, a bordo do gigantesco navio porta-contêineres Ever Garden, que entrava, evitou um possível abalroamento, na altura da Fortaleza da Barra, com o navio-tanque Stolt Osprey, que navegava em sentido contrário. Este último vinha com 6.400 toneladas de produtos altamente inflamáveis e uma possível colisão teria resultado numa tragédia de grandes proporções para a Cidade e o Porto de Santos.


A participação de Ismael no desencalhe do Lorina foi muito importante, pois
quando parecia impossível, o esforço de alguns homens, entre eles
Castanho, logrou sucesso. Ao lado do Lorina (à esquerda), o Kiwi Arrow,
que aliviou parte da carga do Lorina

A Ismael Castanho, os agradecimentos por sempre ter exercido a profissão de prático com responsabilidade e habilidade, manobrando navios na entrada e saída do Porto de Santos!

E, por extensão, a gratidão a todos os práticos, que fazem parte da comunidade marítima e portuária dos portos de todo o mundo.


Ismael Castanho viajou pelo mundo, onde teve a oportunidade de
conhecer as praticagens de diversas localidades. Na foto, a bordo da
lancha dos práticos de Honolulu, Havaí - 2008.

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