Fechamos um dos grandes meses do ano, os trinta e um dias de outubro. Aquele meu espírito infantil se agitou na semana do dia 12 e passou a recordar alguns fatos vividos, que marcam bem como se dava a relação rua-criança.

A maioria estudava de manhã e, então, reuniam-se meninos e meninas à tarde no Boqueirão de Santos para brincar na rua. Às vezes, quando o grupo crescia, formavam-se dois times no jogo de queimada. A quadra era grande, não muito larga, mas bastante comprida. Era ali mesmo, o meio da rua.

Aprender a andar de bicicleta e depois da façanha conquistada, ficar passeando prá lá e prá cá, exibindo as habilidades na magrela sem muita preocupação com o trânsito de outros veículos. Esta atividade também fazia parte das brincadeiras preferidas.

No final da década de 60, quando inauguraram a nova ponte sobre o canal 4, interligando a Avenida Pedro Lessa com a Rua Nabuco de Araújo, veio uma ordem dos pais: agora as brincadeiras nesta rua já não seriam permitidas porque o trânsito de automóveis tinha aumentado muito. A molecada tratou de se ajeitar na paralela, a Rua Professor Torres Homem, que ainda conservava as características interessantes de espaço para brincar e conviver fora dos limites dos quintais.

O domínio dos veículos motorizados gradativamente crescia. Várias quadras de queimada cederam lugar para as filas de carros. Estávamos entrando na década do “Milagre Brasileiro”. Exacerbação do nacionalismo, repressão aos movimentos sociais e exploração aos trabalhadores eram questões que passavam desapercebidas pela turma.

A Copa do Mundo de 1970 nos empolgou e encheu de orgulho, junto com os outros 90 milhões de brasileiros. A Loteria Esportiva alimentava os sonhos de fortuna da família e a transmissão de TV em cores no Brasil começava a segurar um pouco mais as crianças em casa.

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção
Trecho de Pra Frente Brasil (Copa De 1970), composição de Miguel Gustavo.

Atualmente, as telinhas de todos os tamanhos prendem a atenção das crianças e dos marmanjos. E ainda o futebol se mantém como um dos assuntos principais. Estamos nos aproximando da Copa de 2014 aqui no Brasil e a questão da mobilidade urbana ganha importância. Mesmo sem campeonato mundial de futebol, já se apresentava como uma das maiores problemáticas das cidades brasileiras.

Na Baixada Santista, antes daqueles nossos saudosos jogos de queimada, se falava da necessidade de melhor integração entre as cidades vizinhas. Recentemente, o IPAT (Instituto de Pesquisas A Tribuna) apontou que a obra viária considerada mais importante pela população santista é o túnel submerso entre Santos e Guarujá (20,4% das respostas). Em segundo lugar, vem o VLT (18,6%).

O processo de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento e Expansão de Santos está na sua fase final. A minuta elaborada pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano será apresentada aos munícipes em audiências públicas entre os próximos dias 8 e 13. Participe.

https://www.egov1.santos.sp.gov.br/do/1316/2013/do31102013.pdf

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