O relacionamento entre as cidades e os portos, sob vários aspectos, na maioria das vezes, enfocando a cidade de Santos, tem sido o tema da nossa coluna. Cada vez mais, aqui no Brasil ou em outros países, municípios portuários (aqueles que têm porto) e também os outros, que compõem a cadeia logística das atividades portuárias e hidroviárias, buscam elaborar diagnósticos sobre os problemas.

 

O arquiteto italiano e professor-doutor da Universidade de Gênova, Giovanni Spalla, ministrando aula na Universidade Católica de Santos (UniSantos), no curso de pós-graduação Cidade e Região, afirmou que a falta de planejamento é o principal gargalo do Porto de Santos.


Foto: www.familiabortoletto.com.br/

O porto genovês também já viveu o conflito de atividades portuárias e urbanas, a exemplo dos congestionamentos de trânsito que afetam a Baixada Santista durante o escoamento da safra de soja.

 

Spalla explica que a solução para a boa relação porto-cidade está na construção de uma complexa estrutura retroportuária e logística. O armazenamento e a movimentação de cargas deve ficar longe da população, mantendo nos portos apenas as atividades de carga e descarga extremamente necessárias.

 

Muitos portos ainda não foram capazes de acompanhar o desenvolvimento tecnológico no transporte de cargas, embarque e desembarque de mercadorias. A maioria, como o Porto de Santos, também encontra dificuldades em receber os maiores e mais modernos navios.

 

Outro especialista, Joaquim Carlos Teixeira Riva, doutor pela Escola Politécnica da USP e com mestrado no Massachussetts Institute of Tecnology (MIT), ministrou a palestra Logística e Multimodalidade de Transportes, dia 22 de março, na Universidade Santa Cecília (Unisanta). Riva considera que a simples organização do trabalho portuário evitaria problemas como congestionamentos durante a exportação da safra de soja e a interrupção do processo de dragagem do Canal do Estuário.

 

Segundo o diretor da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Sérgio Salomão, o fato de Santos ter, lado a lado, terminais de grãos e instalações de contêineres é um equívoco. “O resultado é uma verdadeira balbúrdia logística porque a carga conteinerizada é geralmente transportada em caminhão e os granéis agrícolas, em trem. Se nós tirarmos uma foto aérea dos principais terminais de contêineres do mundo, vamos verificar que não há grãos ao lado”.

 

Existe um esforço coletivo direcionado ao encontro das soluções para o binômio porto-cidade. Entretanto, assim como os temperamentos e pensamentos humanos, as posições das entidades que interagem com a questão portuária, às vezes, são antagônicas. Mas estamos chegando lá. Afinal o Brasil já marcou ponto até na Estação Espacial Internacional. O tenente-coronel da Aeronáutica, Marcos Pontes, que o diga!

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