A semana está pontuada de datas comemorativas que nos remetem às nossas raízes luso-brasileiras. Desde o Dia da Conservação do Solo (na 6ª feira passada – 15 de abril) até o Dia do Descobrimento do Brasil (na próxima 6ª feira – 22 de abril) também Dia da Comunidade Luso-Brasileira, passando pelo Dia do Índio (19 de abril), Dia de Tiradentes e ainda data do 45º aniversário de Brasília e, para ficar bem santista: Dia do Café (21 de abril).

 

Como país de tradição marítima, Portugal projetou a sua marca distinta no panorama internacional, servindo de ponte entre três continentes – Europa, África e América. No século XVI, inúmeras frotas de navios atracavam no litoral brasileiro para fazer com os índios o escambo do pau-brasil por utensílios manufaturados. A madeira nobre – naquela época abundante em todo o litoral – era usada para a extração de corante vermelho e para construção de navios.

 

Até 1530 não houve um projeto de colonização do Brasil por parte da Coroa portuguesa, pois as riquezas do Oriente e da África atraíam todas as atrações dos reis, nobres e comerciantes. Apenas em 1532, no reinado de D. João III, são criadas as capitanias hereditárias, sob o temor de que outras Coroas européias, entre elas a Espanha e a França, tomassem conta do território brasileiro.

 

Em pouco tempo, a vocação agrícola da Colônia já se mostrava. A extensão das terras, a fertilidade do solo e o clima favorável fizeram com que os primeiros colonizadores optassem pelo cultivo da cana-de-açúcar nas costas brasileiras.

 

Nas questões do mar, hoje vamos dar um mergulho no passado. Há cerca de 2000 anos, todo o Mediterrâneo era dominado por uma força naval e uma marinha mercante constituída por galeras do Império Romano para o transporte de granel. Na Europa medieval, as longas embarcações dos vikings foram evoluindo até o surgimento das caravelas e dos galeões de velas quadradas, já com os lemes instalados em pontos fixos da popa. Estes navios eram adequados a longas viagens marítimas, permitindo as grandes navegações dos séculos XV e XVI (descobrimentos de Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães).

 

No início do século XIX, destacaram-se os alongados e velozes clippers (uma evolução dos veleiros) e também o navio a vapor. Já no princípio do século XX, predominaram a construção naval com aço e as turbinas a vapor, os grandes transatlânticos de passageiros, os navios de carga e para fins militares.

 

O mar (o português ou o brasileiro), além de um patrimônio ativo com vastas potencialidades econômicas é também um espaço de cultura, turismo e lazer. O incentivo à navegação comercial ou de lazer implica no desenvolvimento de atividades relacionadas à manutenção e construção de embarcações.

 

A vocação para a implantação de estaleiros na Baixada Santista permanece, apesar da licitação pública para a contratação de fabricantes de navios da Transpetro (subsidiária da Petrobrás) não ter favorecido a região. O mercado naval brasileiro não se restringe aos petroleiros. Existe viabilidade de criação de estaleiros para reparos e construção de diversos tipos de embarcações.

 

O prefeito de Cubatão, Clermont Castor, vem organizando uma campanha regional para atrair investimentos de indústrias navais. O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa define a responsabilidade da efetivação do estaleiro como de ordem empresarial e afirma que as cidades hoje têm de estar abertas para discutir legislação e condições para serem atrativas para novos negócios.

 

Continuaremos o tema na próxima semana.

 

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