Pontos chaves:

1) A produtividade no Porto de Santos bate sucessivos recordes; anuncia VALOR.

2) Ela se alinha às principais referências internacionais; e desautoriza a repetição, acrítica, de surrados bordões que contrariam avanços dos últimos 20 anos.

3) O indicador de Cingapura, porem, merece retificação. No mínimo, contextualização. 

 

“Produtividade dispara no Porto de Santos” mancheteia o respeitável VALOR (02) (17/SET). A matéria é baseada em levantamento dos tradicionais, e não menos respeitáveis, armadores Aliança e Hamburg Sud. O trabalho compara “movimentos por hora em 2014” de Santos com grandes portos mundiais (navios da classe “Cap San”- até 335 metros de comprimento e capacidade de 9.600 TEUs).

Santos (104 movimentos/hora) fica atrás apenas de Shanghai (122). Acima da média da amostra (80), e à frente dos reconhecidos Hamburgo (90), Hong Kong (90) e Roterdã (87).

A surpresa fica por conta da posição de Cingapura (57), reconhecido benchmark mundial e alternante com Shanghai na liderança da movimentação anual total de contêineres (casa de 30 milhões TEUs/ano): Cingapura estaria, assim, abaixo da média do levantamento e atrás de Buenos Aires (76): Surpreendente; não?

Intrigado, procurei checar a informação junto a fontes confiáveis da indústria marítima. Em síntese:

 

  • - O indicador de produtividade de Cingapura refere-se a um serviço da Hamburg Sud que tem como origem a China (Shanghai) e como destino Brasil e Argentina.

 


  • - Quando o navio chega a Cingapura, a partir da China, a maior parte do espaço já está preenchido. Com isso, o número de contêineres do Sudeste Asiático, que podem ser ali embarcados, é reduzido.

  • - Sendo o espaço limitado e a movimentação pequena (em comparação com a demanda de Shanghai e Hong Kong), o número de portêineres (guindastes) alocados é também limitada: 2 ou 3, como em navios de menor porte.

  • - Em navios da classe “Cap San”, ou similares, nos quais podem operar pelo menos 5 portêineres, a produtividade nos terminais cingapurianos é superior a 120 movimentos/hora: Mais que o dobro dos 57, indicados no levantamento que baseou a matéria do VALOR, e similar à dos portos chineses.

  • - Apenas como registro: Algumas operações naqueles terminais já chegaram alcançar mais de 300 movimentos/hora!

Em síntese; números, estatística podem enganar. Só se pode compreender o significado quando entendido o contexto; e só fazem sentido quando se compara banana com banana, laranja com laranja!

 

  • Em relação a Santos, todavia, a notícia é alvissareira; seja pelo seu desempenho, seja porque desautoriza a repetição, acrítica, inclusive nas propagandas eleitorais de rádio e TV, dos surrados bordões do “sucateamento dos portos brasileiros”, da “falta de investimentos”... que contrariam os avanços dos últimos 20 anos. 
Pin It
0
0
0
s2smodern
powered by social2s