“Aquaviariamente movimenta-se mais de 90% das cargas mundiais” (70% em valor), “o que emite só 2,7% do CO2 total” (em redução – via rigoroso programa da IMO). “Sem navegação e portos metade da população mundial morreria de fome; a outra de frio”. “Se efetivadas previsões de elevação do nível do mar em 0,5 m (até 2050), afetar-se-ia patrimônio superior a US$ 28 trilhões nas 136 principais megacidades portuárias”; impactando, em cadeia, prêmios de seguros, custos logísticos e preço dos produtos.

Ou seja: “se estratégicos para as economias e sociedades (ao menos com o arranjo vigente!), portos são muito vulneráveis à elevação do nível do mar e aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos” (tempestades, inundações, furacões, etc.). Daí, “erosão costeira acelerada e inundações” (como em Itajaí-SC em 2008 e, novamente, mês passado), “mais assoreamento e necessidade de dragagem, problemas com abastecimento de água; etc”. Tais efeitos são potencializados, pois portos localizam-se, geralmente, em densas áreas (populacional e economicamente).

Preocupada, a comunidade internacional, às vésperas da “Rio+20”, busca caminhos e soluções. Exemplo foi o “encontro de especialistas” (“Impacto das alterações climáticas e adaptação: Um desafio global para os portos”), recém- promovido pela UNCTAD, em Genebra-Suíça: Ele reuniu uma centena de cientistas, técnicos e dirigentes de organismos e entidades afins, e convidados especiais para discussões a partir de um documento-base e de duas dúzias de apresentações.

Digo de nota: i) abordagem probabilística da questão (ao contrário do comum na nossa imprensa, MP e Justiça: determinístico!; também na opinião pública); ii) honestidade intelectual dos cientistas e especialistas, de escol, reconhecendo a limitação de dados e explicações (distinto de alguns ventríloquos fundamentalistas, superficiais e arrogantes que nos cercam!); iii) debate franco entre as 3 principais correntes – ao que parece, longe do fim: a que prioriza a minimização/eliminação das causas; a da mitigação dos impactos; e a da adaptação (conceito abrangente)... apesar do representante chinês explicar ser-lhes algo “quase cultural”, após 5.00 anos, o enfrentamento de tais fenômenos e suas consequências.

Próximo: “Da Vontade Política

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