Que vexame! De novo? Patético: habilidosos jogadores catatônicos, cabisbaixos no adeus à Copa América! E pior: talvez seja só a ponta do iceberg de limitações nossas que transcendem ao futebol.

O extrativismo do pau-brasil, borracha e ouro, e a agricultura da cana e do café permitiram acumularmos capitais e, dialeticamente, impulsionaram infraestruturas (portos, ferrovias, rodovias, energia...). Daí a perspectiva do “país do futuro” abandonando o “berço esplêndido”, passo a passo em direção à indústria de transformação, semimanufaturados, bens de consumo de massa, de alta tecnologia (ainda que em nichos específicos). Minério de ferro, soja, açúcar, etanol e o novo-petróleo robusteceram tais esperanças.

Pena que, após evoluções no século XX, volta o velho modelo: commodities predominando nas exportações que, junto com investimentos externos, sustentam importações de serviços e bens industrializados. Nessas, até coco da Malásia e etanol dos USA, p.ex., e bugigangas de baixa tecnologia. Mais grave: tais commodities voltando de tour internacional, agora com design, marca, marketing e, lógico, bem mais caras. O café é um típico exemplo!

Será que nosso futebol caminha para a "commoditização"? Adolescentes talentosos surgem a cada ano (“extrativismo”). Já sabemos “plantá-los”, “semimanufaturá-los” e exportá-los. Mas só sazonalmente logramos times e seleções vencedoras (talento, como matéria-prima, não é suficiente!). Ah! Alguns, após período de imersão em times estrangeiros, já chegaram a n°1 do mundo!

Aprendi com meu filho, Gabriel, da jovem geração de treinadores, não improvisada, que mudar de patamar no esporte requer, como na indústria e serviços, educação, treinamento, tecnologia, planejamento, gestão, cultura da qualidade e, sobretudo, ética, disciplina e organização. E nem se fale do Barcelona! O vizinho Uruguai, com 3,3 milhões de habitantes, menor que da Zona Leste de SP, implementa, diligentemente, projeto que o recolocou em destaque, em todas as categorias.

Aliados, mas não reféns das commodities! Nem das suas oscilações de preços (que, sorte, hoje nos favorecem!). Podemos/devemos ir além para evitar vexames assim e viabilizar mais riqueza para o País, e emprego e renda para os brasileiros... inclusive no futebol.

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