Há pelo menos meia década muito tem se falado sobre o aumento do número de pessoas na classe C. Este fenômeno de mobilidade social ficou conhecido como Nova Classe Média. Desde então, muitos estudiosos vem se debruçando sobre o assunto, tentando entender quem é esta Nova Classe Média.

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A última contribuição sobre o tema veio a público no 1º semestre de 2012. O livro Nova Classe Média?, de Marcio Pochmann, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresenta um conjunto de dados estatísticos que mostram que a Nova Classe Média tem pouco ou nada da tradicional classe média, sendo formada fundamentalmente por trabalhadores dos mais diversos setores.

Em termos dos estudos sobre a nova classe média publicados até o momento, este dado não é novidade, sendo apresentado por Jessé Souza no livro Os Batalhadores Brasileiros. A novidade do livro de Pochmann está em mostrar, através de um bom número de gráficos, que estes trabalhadores estão na base da pirâmide social, localizados principalmente no setor de serviços e nas posições mais baixas deste setor. São empregados domésticos, recepcionistas, trabalhadores de limpeza e conservação, telemarketing e por aí vai. Ou seja, a ascensão dada pelo aumento real do salário mínimo não se converte, segundo Pochmann, em qualidade do emprego.

Foto: Bruno Rios

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Pochmann conclui o livro alertando de que não podemos caracterizar esta classe trabalhadora como uma classe média. Em termos sociológicos, temos que concordar com Pochmann, contudo, não podemos desprezar o movimento de ascensão que esta classe vem impulsionando. Com o acesso a bens e serviços permitido pelo aumento real do salário mínimo, esta classe tem consumido mais, mas também tem se educado mais, aumentando o contingente de pessoas no ensino superior, seja em faculdades com baixas mensalidades, seja por meio de programas governamentais como Prouni e FIES, seja nas universidades federais que se expandiram pelo Brasil.

Não podemos de forma nenhuma desconsiderar que a sociedade brasileira passa por uma importante reconfiguração. Ainda mantemos grandes níveis de desigualdade, mas estamos cada vez mais longe da extrema pobreza, diminuindo os índices de trabalho informal e trabalho infantil e aumentando os níveis de escolarização. Outra sociedade se mostra possível, talvez mais justa e igualitária. Cabe a nós querê-la e fazê-la!

Referências bibliográficas
POCHMANN, Marcio. Nova classe média?: o trabalho na base de pirâmide social. São Paulo: Boitempo, 2012. 
SOUZA, Jessé. Os batalhadores brasileiros: nova classe média ou nova classe trabalhadora?. Belo Horizonte: UFMG, 2010.

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