Peguei-me esta semana interrogando-me sobre o título desta coluna: Porto Ciência. O objetivo aqui é trabalharmos os temas do mundo portuário sobre o olhar objetivo da ciência. Mas, o que vem a ser ciência?

Existe uma ideia onde a definição de ciência encaixa somente para as ciências exatas e biológicas, as hard sciences, com sua neutralidade e objetividade e a exatidão de seus resultados. As ciências humanas vivem com a “pecha” de serem apenas ensaísmo, elocubração e algumas tentativas de objetividade, promovendo resultados que podem ser interpretados de diferentes maneiras, dadas as diversas teorias que informam as ciências humanas.

Esta ideia é reproduzida pelo governo através do Programa Ciência Sem Fronteiras, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Implantado com o objetivo de internacionalizar a ciência brasileira, o programa oferece bolsas de graduação e pós-graduação no exterior em áreas consideradas prioritárias pelo governo brasileiro. A distribuição das bolsas, entretanto, não abrange as temáticas, mas sim a divisão das ciências.

Com o objetivo claro de priorizar a pesquisa em áreas essenciais para o desenvolvimento tecnológico, o CNPq parece que esqueceu que desenvolvimento tecnológico gera mudança social e que esta precisa ser compreendida, para que possam ser enfrentadas as consequências sociais, nem sempre benéficas, deste processo. O que adianta investirmos em petróleo e gás se não entendermos os impactos sociais do desenvolvimento do pré-sal? Aliar as hard sciences as soft sciences pode ser a melhor saída.

Não desmereço aqui o esforço feito pelo governo nos últimos anos no que tange ao progresso da ciência, com aumento do fomento as atividades científicas no Brasil e agora, com a implantação de um programa de tal monta. Apenas deixo aqui, mais uma vez, a eterna pergunta: de qual Ciência estamos falando? Ao tentar desvelar o senso comum sob o olhar objetivo, não seriam as Humanidades também ciência?

Leia também
* Ciência (?) sem fronteira
* Carta enviada pelas Associações Científicas das Ciências Sociais ao CNPq

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