Grande parte dos leitores sabe, dado a constante exposição deste fato neste espaço, que venho realizando pesquisa para o curso de doutoramento em Ciências Sociais. Tendo o trabalho portuário por objeto de estudo, pretendo compreender as mudanças ocorridas nos processos de socialização e construção da identidade social e profissional do trabalhador portuário após o processo de modernização. Para isso, tenho me debruçado sobre as leituras que versam sobre tais temas.

Uma delas foi o livro de Claude Dubar, A Socialização. Dubar tenta desvendar as modificações nos processos de socialização no contexto da crise econômica que se abateu sobre a Europa nas décadas de 1970 e 1980. Tomando o caso da França, cuja profissionalização via escolarização é muito forte, Dubar observa principalmente as profissões liberais, com seus cursos, processos seletivos, capacitações e conseqüente mundo simbólico e ritualístico oriundo destes como fatores relevantes na composição das identidades profissionais e sociais.

Tomei este ponto para pensar os processos de socialização dos trabalhadores portuários avulsos. Dado que no caso destes, o lócus de socialização não é pretérito ao exercício do trabalho, considerei, já em minha pesquisa de mestrado, o sindicato como um dos lócus de produção de sociabilidade e socialização do trabalhador, assim como os locais de trabalho, onde a atividade se exerce e o individuo passa a tomar contato com as capacitações próprias para o exercício da profissão, sendo introduzido, nos dois ambientes, ao universo simbólico que compõe o mundo dos trabalhadores portuários avulsos.

Com o processo de modernização vem a extinção do sistema de closed-shop, a introdução forte do maquinário e a possibilidade da multifuncionalidade. Pergunto então: quais seriam os atuais lócus de desenvolvimento dos processos de socialização? Os sindicatos ainda cumprem com a tarefa de introduzir o “novato” nos códigos da profissão? E os ambientes de trabalho com a conseqüente fragmentação da atividade dada pela introdução do maquinário, cumpre com a função de socialização? Com a palavra, o TPA.

Referências
DIÉGUEZ, Carla Regina Mota Alonso. De OGMO (Operário Gestor de Mão-de-Obra) para OGMO (Órgao Gestor de Mão-de-Obra): modernização e cultura do trabalho no Porto de Santos. 2007. Dissertação (Mestrado em Sociologia). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. São Paulo. 2007

DUBAR, Claude. A Socialização: construção das identidades sociais e profissionais. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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