Na última semana tive as tão sonhadas férias. Meu marido e eu resolvemos então atravessar três estados brasileiros de carro. Saímos de São Paulo com destino a Gramado/RS, com paradas em Curitiba/PR e Blumenau/SC. Para isso, traçamos nossa rota e contamos com a ajuda da tecnologia (um bom GPS).

Dirigimos para a BR 116 rumo a Curitiba. Vimos uma estrada em grande parte duplicada, com asfalto razoável, entretanto repleta de caminhões. As cargas que vem de portos como Paranaguá, que poderiam vir por ferrovias ou por navegação de cabotagem, são transportadas por rodovias como a BR 116, rumo ao norte, ou a BR 101, rumo ao sul, lotando as estradas de caminhões, provocando congestionamentos em alguns trechos, como a Serra do Cafezal próximo a Juquitiba/SP.

Depois de Curitiba, a BR 116 torna-se a estrada da morte, alcunha pela qual é conhecida. Entre Lages/SC e Nova Petrópolis/RS, trecho que percorremos, ela é uma rodovia de pista única e mão dupla, com poucos postos de gasolina e SOS Usuários. Sem estrutura, o viajante que por ela anda sente-se desamparado. Além disso, os trechos de serra são de nos deixar de coração na boca, dado os penhascos que circundam a rodovia. E lá estão os caminhões, donos da estrada. Porém, o asfalto é razoável, com poucos buracos, sendo talvez a melhor opção para o viajante que quer chegar a Caxias do Sul.

Entretanto, entre Blumenau/SC e Lages/SC o nosso GPS “endoidou” e nos mandou seguir para São Joaquim/SC, cidade da serra catarinense que atrai visitantes de todo o Brasil que querem no inverno ver a neve que todo ano visita a cidade. Entretanto, a estrada para lá não condiz com a fama da cidade. Uma serra de pista única e mão dupla com inúmeros buracos, asfalto mal cuidado e com riscos iminentes de acidentes. A outra estrada que chega a São Joaquim, para quem vem de Lages, também está do mesmo jeito. Não vimos nenhum pedágio neste percurso, mas também não encontramos nenhuma segurança nestas estradas.

Mas, tivemos uma grata surpresa na volta de Gramado/RS. Voltamos pela BR 101 rumo a Florianópolis/SC. A estrada está sendo duplicada com verbas do PAC e as obras estão em ritmo acelerado, com boa parte dos trechos já duplicados e com quase nenhum pedágio (milagre!). Mas, é uma estrada também repleta de caminhões, dado que liga inúmeros pólos industriais e portos da região sul, como Itajaí e Rio Grande.

Neste percurso percorremos mais de 2.000 quilômetros e vimos um Brasil que se move sobre rodas. A quantidade de caminhões presentes nas rodovias, transportando todos os tipos de cargas, de veículos a animais, de contêineres a toras de madeiras, mostra que logisticamente estamos em ponto de saturação. E não falo isso hipoteticamente, mas com base nesta pequena experiência de percorrer algumas das principais rodovias brasileiras e principais pontos de escoamento de cargas do Brasil.

Precisamos já de um Brasil que não esteja apenas sobre rodas, mas sobre trilhos e também sobre águas. Caso contrário, o gargalo logístico não será apenas uma conjectura, mas uma realidade.

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