A centralidade do trabalho é um tema caro às Ciências Sociais desde a década de 1980, quando os primeiros estudos sobre o tema (GORZ, 1982; OFFE, 1989) proclamavam o fim da sociedade do trabalho, a partir da ideia da perda de centralidade do trabalho como elemento estruturante das relações sociais.

No início, tais estudos causaram intenso debate, mas aos poucos a ideia tomou corpo e falar em uma sociedade onde o trabalho não é central passou a ser natural. Entretanto, nem todos concordam com esta ideia. É o caso de Ricardo Antunes, professor de Sociologia da Unicamp, que no livro "O Caracol e sua Concha", mais especificamente no artigo "A Crise da Sociedade do Trabalho", volta a esta temática, defendendo a centralidade do trabalho na vida social.

Para isso, Antunes (2005, p. 33) nos questiona: “Quando se fala de crise da sociedade do trabalho, é absolutamente necessário qualificar a dimensão do que se está tratando: se é uma crise da sociedade do trabalho abstrato (...) ou se se trata da crise do trabalho em sua dimensão concreta (...)”. Para Antunes, se falarmos que a crise gira em torno da primeira dimensão, podemos negar que a sociedade contemporânea move-se pela lógica do capital e ignorarmos a presença do trabalho abstrato, fetichizado e alienado na vida dos indivíduos.

É neste sentido que Antunes defende que ainda estamos em uma sociedade do trabalho, que apenas substitui trabalho vivo por trabalho morto, mas que não deixa de se mover dentro do sistema capitalista e, consequentemente, de alienar cada vez mais o homem.

Referências bibliográficas
ANTUNES, Ricardo. A Crise da Sociedade do Trabalho: fim da centralidade ou desconstrução do trabalho?. In _____. O Caracol e sua Concha: ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2005.

GORZ, André. Adeus ao proletariado. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982.

OFFE, Claus. Trabalho como categoria sociológica fundamental?. In _____. Trabalho e Sociedade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989. Vol. 1

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