escrito por André de Seixas, editor do site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

Uma das coisas que mais nos marcam quando temos contato com os funcionários da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) é a insatisfação deles com a empresa, principalmente com a gestão engessada da estatal que é feita através de cargos políticos, o chamado apadrinhamento. Muitos funcionários concursados da CDRJ, alguns bem preparados, inclusive com formação acadêmica no exterior, não podem colocar em prática suas expertises, pois, geralmente, tem sempre um sujeito acima deles que não é do ramo, que está ali por indicação política e que, com efeito, acaba por emperrar uma engrenagem que poderia funcionar muito bem.

Infelizmente, como em todos os setores que envolvem a administração pública, sejam ministérios, secretarias, autarquias, estatais, etc., verificamos a existência de verdadeiros bunkers de partidos políticos, ávidos por sugarem tudo que podem do Brasil, dando como contrapartida muita incompetência, desinteresse e tudo de ruim que podem oferecer. Isso está diariamente na mídia e não é algo inventado por nós. Basta ver o momento que enfrenta o país! Por que seríamos obrigados a acreditar que na CDRJ a coisa funciona de forma diferente?

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Recentemente, foi veiculado na mídia que dois novos diretores foram nomeados na CDRJ. Um deles assumirá a diretoria de engenharia e gestão portuária. É engenheiro civil, veio importado do estado do Maranhão, trabalhou na Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), empresário dono de postos de combustível, inclusive presidindo o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Maranhão. Fazendo uma pesquisa sobre a EMAP, por exemplo, não que esse seja o caso do novo diretor da CDRJ e longe de nós levantarmos suspeitas, verificamos muitos problemas com nepotismo e cabides de empregos na empresa pública que administra os portos do Maranhão (está na Internet para quem quiser ler).

O outro diretor, filiado ao PDT, que assumirá a diretoria de planejamento de relações comerciais, foi chefe de gabinete da Secretaria Executiva e assessor especial do Ministério do Trabalho e Emprego, onde coordenou o Grupo de Trabalho para Implantação do Comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação e o Comitê de Implantação da Governança de Tecnologia da Informação.

Foto: Daniel Basil/Portal da Copa

Funcionários e diretores da CDRJ há muito tempo não estão em sintonia

Sobre essas nomeações, temos muitas dúvidas. Uma delas, talvez a principal, é que estamos tratando de dois sujeitos que, segundo pesquisas realizadas pelo site, parecem não ter raízes fixadas no Rio de Janeiro e, por isso, tememos que não estejam constantemente aqui para acompanhar de perto as questões que envolvem os portos do Rio de Janeiro, como exigem os cargos para os quais foram nomeados.

Quanto ao diretor que veio da EMAP, nossas dúvidas giram em torno do fato de que ele é um empresário e, seguindo o ditado de que “o gado somente engorda com os olhos do dono”, somos céticos no sentido de que ele deixará seus negócios no Maranhão para priorizar a CDRJ. Já quanto ao segundo diretor, o filiado ao PDT, baseado também nas pesquisas que fizemos, verificamos que ele não tem experiência no setor portuário e irá assumir uma diretoria comercial, que é a alma de qualquer empresa.

Muitas dúvidas pairam e, como cidadãos e interessados diretamente nas questões que envolvem os portos do Rio de Janeiro, precisamos atuar como síndicos daquilo que nos pertence. Afinal de contas, a melhor fiscalização para os nossos portos é aquela feita pelos cidadãos e usuários.

Não temos o direito de acusar, mas, como cidadãos, temos o direito de cobrar, duvidar e achar complicadas essas nomeações, tendo em vista que a CDRJ tem no seu quadro funcionários concursados, profissionais capacitados para as funções. Alegar que as aprovações das nomeações foram feitas pelo Conselho da CDRJ para nós não é o bastante, principalmente, tendo em vista que, guardando as devidas proporções, estamos vendo conselhos de estatais errando feio, como foi o péssimo negócio feito pela Petrobras na aquisição da refinaria de Pasadena, por exemplo, que foi aprovada por unanimidade pelo conselho daquela estatal.

Temos o direito de duvidar e duvidamos. Temos o direito de questionar e estamos questionando. Por isso, provavelmente, buscaremos o Ministério Público Federal para que este faça um acompanhamento de perto sobre a rotina de trabalho dos dois diretores recentemente nomeados, de forma que tenhamos certeza de que eles estarão constantemente presentes no dia a dia dos nossos portos. Pesquisamos bastante e temos informações suficientes para tal.

Por que não dar chance para as pratas da casa, aos que conhecem bem os portos daqui e a estrutura da empresa? Por que não favorecer os funcionários concursados que investiram em suas carreiras em busca de evolução profissional? Será que os funcionários experientes, preparados e concursados da CDRJ devem se filiar a algum partido político para ter a chance de assumir uma diretoria na estatal?

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