Em mais uma tradução de textos sobre as trocas literárias entre poetas e tradutores de Santos e Lima, Óscar Limache, poeta e tradutor de Lima, apresenta o projeto Tabatinga. O texto está publicado em espanhol na abertura do primeiro número da coleção Aiapæc, a edição bilíngüe de “51 mendicantos”, de Paulo de Toledo, traduzido pelo próprio Limache. Leia mais sobre o intercâmbio aqui.

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Tradução
Alessandro Atanes

A iniciatória leitura de Carlos Drummond de Andrade, nos anos 80, e o tardio descobrimento da poesia de Mário Quintana, neste milênio, me levaram até o Brasil em busca de livros, escassos ou inexistentes no Peru.

De cada viagem voltava com exemplares que dividia com velhos amigos leitores e jovens editores independentes, surpresos de que no Peru do século XXI não fossem publicadas traduções que dessem conta da alta qualidade da poesia brasileira (as últimas, editadas pelo Centro de Estudos Brasileiros, datam de mais de três décadas).

Este vazio me levou a fundar em 2006 o “Projeto Tabatinga de Tradução Literária”, que irmana peruanos que traduzem poesia brasileira e autores brasileiros a brasileiros que traduzem autores peruanos, com o fim de fomentar o conhecimento mútuo de nossas respectivas literaturas e para contribuir para a construção de uma “escola peruana de tradução literária”, que os aportes de poetas como Javier Sologuren, Ricardo Silva Santisteban ou Renato Sandoval vêm cimentando nos últimos tempos.

Produto dessa aproximação fraterna, já foram publicadas traduções de livros de Javier Heraud, Óscar Limache e Victoria Guerrero através do selo Sereia Ca(n)tadora, de Santos, Brasil, e traduções de livros de Mário Quintana e Ademir Demarchi através do Centro Peruano de Estudos Culturais, em Lima, Peru; além destas traduções que agora o selo Amotape Libros escolheu para iniciar sua aventura editorial.

Agradeço a Paulo de Toledo por ter confiado a mim a tradução de seu livros, tão cheio de piscadelas intertextuais; por sua paciência para absolver as dúvidas que me assaltaram durante o processo de vertê-lo ao espanhol, e porque com sua poesia exemplar me ensinou que, se um autor decide correr tais riscos com seus leitores, um tradutor deve corrê-los também. Graças a ele descobri que, em um mundo no qual a informação está ao alcance da mão a um clique de distância, um leitor avisado não necessita de notas explicativas se o tradutor realizou bem seu trabalho.

Agradeço a Alessandro Atanes e Ademir Demarchi por seu interesse pela cultura de meu país, pelo tempo dedicado a traduzir e difundir a obra dos poetas peruanos e por ter me permitido conhecer os poetas de Santos, dignos representantes de uma poesia de altos cumes; pelas horas de trabalho compartilhadas (em Santos e em Lima, e através da internet) para a melhor concretização deste projeto binacional e porque, quando os visito em sua terra, as casas de ambos tornam-se automaticamente a “Embaixada do Peru em Santos”.

Agradeço, finalmente, a Alfredo Ruiz, editor novato e nobre amigo, por acolher em sua recém estreada casinha de Amotape a materialização destes esforços e por acreditar na necessidade de seguir construindo, de um e do outro lado da fronteira, essa ponte de palavras.

Óscar Limache

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