I O pianista no mar
Na segunda edição da revista guaiaó, lançada nesta quarta-feira (23), um texto de Flávio Viegas Amoreira, acompanhado por um desenho de Paulo von Poser, trata do filme “A lenda do pianista do mar” (1998), de Giuseppe Tornatore, e seu protagonista: uma criança encontrada dentro de um navio de cruzeiros internacionais na virada do século XIX para o século XX – é a razão de seu nome. Adulto, ele se torna o pianista da embarcação. É descrito no texto assim:

Tim Roth, o personagem central leva o nome de 1900, é um anti-Ulysses sem ter referência para onde voltar, além de ser navegante observador de todos os cantos da Terra com a perspectiva do Mar: ele é tão marítimo que perde mesmo sentido do Oceano por estar nele contido naturalmente. Não defronta o mar, torna-se contingente de calmarias e intempéries como um pastor num bosque ou transeunte na Quinta Avenida...

É o que ocorre na cena em que 1900 destrava as rodas do piano para tocar junto a uma tempestade que balança o navio e tudo dentro, enquanto deslizam calmamente pelo salão o piano e seu pianista, “contingente de calmarias e intempéries”. Esse homem que vive às margens da terra firme e suas sociedades, afirma o autor, tem como casa o mar, “símbolo uterino candente” no qual “o porto é um não-lugar que convida ao retorno viajante”. Amoreira lembra-se do poeta grego Giorgos Seféris:

Não sabemos que somos todos marinheiros sem destino
Não sabemos como o porto é amargo
Quando todos os barcos partiram

Passamos no texto também pela abertura de “Moby Dick” (1851), a “catedral literária de Melville” e pelo poema “Brisa Marinha”, de Stéphane Mallarmé (1842-1898): “A carne é triste, e eu li todos os livros, todos”. Abaixo, a tradução da primeira estrofe feita por Augusto de Campos:

A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.

Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres,

Ébrios de se entregar à espuma e aos céus imensos.

(leia aqui o poema inteiro)

Clique aqui para ler a segunda parte deste artigo.

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