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Nesta situação, o jornalista Mario Wainfeld contextualiza o momento do nascimento da Eloisa Cartonera:

A crise de 2001 aprofundou o desamparo de amplíssimos setores sociais e desnudou a falácia do modelo existente. A resposta social, por múltiplos motivos, teve um tom diferente do que foi primazia nos anos 90. A experiência adquirida, a extrema pobreza e a falta de representatividade política despertaram reflexos comunitários, de profundas (e adormecidas) reminiscências históricas. Proliferaram as organizações de desempregados, as assembleias, comedorias e “roperitos” [cômoda, no caso lugar para trocar roupas] populares, os clubes de trocas. Tiveram viabilidades bem diferentes, possivelmente relacionadas com a profundidade de suas raízes sociais. Mas compartilhavam um ethos solidário e cidadão. Não era imaginável, nem desejável, salvar-se sozinho ou escapar um por um do incêndio.

Julian Gonzalez, um dos que estão com o projeto desde o início, afirma que nada muda para a Eloisa Cartonera com a reorientação do governo federal do neoliberalismo nos 90 para a retomada do controle estatal da YPF em 2012. “Temos nossas preferências políticas individualmente, mas a política da Eloisa Cartonera é o trabalho. Vamos continuar fazendo livros da mesma maneira”.
 
Se os panelaços e assembleias populares se limitaram a Buenos Aires, o mesmo não se deve dizer do sistema de trabalho da editora. Hoje, são mais de 30 “cartoneras” espalhadas pela América Latina (aqui em Santos são três: Sereia Ca(n)tadora, Edições Caiçaras e Estação Catadora) e algumas também na Europa (Berlim, Paris e Londres). Uma pequena lista mostra a riqueza de nomes: ainda na Argentina temos a Textos de Cartón (Córdoba) e Cartonerita Solar (Neuquén), no Uruguai a La Propia Cartonera, no Chile Animita Cartonera e La Cizarra Cartonera, no Paraguai Felicita Cartonera e Yiyi Yambo, na Bolívia Mandrágora Cartonera, Yerba Mala Cartonera e Nicotina Cartonera, no Equador a Matapalo Cartonera, na Colômbia Patasola Cartonera, no Peru Sarita Cartonera, em El Salvador La Cabuda Cartonera e no México a Santa Muerte Cartonera, La Cartonera, La Ratona Cartonera e Regia Cartonera, entre outras, além das brasileiras Katarina Kartonera, em Florianópolis, Rubra Cartonera em Londrina e a iniciadora da prática no Brasil, a Dulcinéia Catadora, de São Paulo.

Na galeria abaixo, fotografias feitas por mim e Márcia Costa em visita à Eloisa Cartonera em 5 e 7 de maio.

Como muitos brasileiros têm viajado para Buenos Aires, vale deixar aqui uma dica. A Eloisa Cartonera fica no bairro turístico de La Boca, ali onde fica o Caminito, na Rua Aristobulo del Valle, 666, a 100 metros do estádio do Boca Juniors. É só se apresentar a fazer um livros junto com eles.

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