É preocupante o entusiasmo para aprofundar o canal de acesso ao Porto de Santos focado na movimentação de carga, ante um quadro de assoreamento em um crescendo que se vive no seu estuário, onde se situam as praias da cidade. O estudo contratado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) à Universidade de São Paulo (USP) tem como objeto responder ao Ministério Público na ação pública sobre o tema – dragagem em que a Codesp e a Secretaria de Portos (SEP) figuram como réu. Qualquer que seja o projeto para dragar de 15 metros para 17 metros, sua elaboração não pode prescindir de uma visão de desenvolvimento em todos os níveis, integrando o econômico, social e ambiental. 

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Nos tempos atuais de sustentabilidade, é determinante essa estratégia para o projeto Santos 17 resultar exitoso. Inexoravelmente há muitas perguntas a serem respondidas. Por exemplo, o objeto do estudo contratado deve ser qual o Navio Tipo a ser suportado nos próximos anos em Santos e quais os seus impactos (positivos ou negativos)? Qual o balanço social dessa conta? Quais as variáveis a serem consideradas? Quais os cenários a serem considerados na adoção de cada navio tipo? O que impacta a natureza e a praia e quais as medidas mitigadoras? Responder a estas perguntas é garantir oportunidade para a sociedade participar de decisões e influenciar suas vidas e seu futuro, condição fundamental para o desenvolvimento sustentável.

Operacionalmente, o canal do Porto é o bem mais precioso do sistema. Dele se utilizam os principais usuários do complexo santista: os navios que levam e trazem o comércio pelos mares. Cabe à Autoridade Portuária, que trabalhando em conjunto com as demais autoridades consegue entender e congregar anseios, incluindo o da sociedade local. Sem sombra de dúvida, isso já se configura com a contração pela Codesp, junto à Universidade de São Paulo, de estudo compreensivo sobre o desenvolvimento do canal de navegação do Porto de Santos. No entanto, precisa também responder qual o impacto social com o ganho/perda da competitividade comercial?

Desenho do traçado do canal, comportamento hidráulico antes e depois das dragagens, programas de dragagens de aprofundamento para receber navios cada vez maiores, obras para a manutenção dessas profundidades e respectivas análise dos custos frente aos ganhos, em função do tipo de navios que podem ser acomodados ao cais do Porto de Santos são estudos necessários , mas que não podem ficar restritos aos objetivos comerciais.

Como é fácil perceber, há muitas e relevantes questões a serem discutidas sobre esse projeto, acalentado desde a década de 90. Portogente, com ética e imparcialidade, vai participar e colaborar para ampliar esse debate sobre dragar o acesso ao porto de Santos para 17 metros. Com a certeza de que é possível integrar a capacidade construtiva ao desenvolvimento sustentável, no fortalecimento da tecnologia e na preservação dos interesses da sociedade. Isso é inovação.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website