Clipper – O Auge da Navegação a Vela

Caros leitores,
Neste artigo, na sequência sobre o tema das embarcações coloniais, falaremos do Clipper, o mais veloz de todos os veleiros.

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A embarcação “Clipper” representou o auge da navegação a vela durante o século XIX. Os primeiros Clippers construídos no final do século XVIII foram modelados no veleiro francês “Luggers” e raramente ultrapassavam a 200 toneladas de capacidade de carga e sua principal característica era a velocidade, bem superior as das embarcações da época.

O bom desempenho com ágil deslocamento no mar era resultado da grande área vélica, sustentada por 3 grandes mastros, impulsionando um esbelto casco alongado acima da água, com um nítido avanço do corpo a proa e uma maior amplitude a ré.

O Clipper era venerado tanto pelos marinheiros comopelos capitães, que enfatizavam que um Clipper tinha que ter 3 características fundamentais:
Casco alinhado e afiado;
3 fortes mastros para suportar a força dos ventos e tempestades;
Navegar dia e noite com tempo bom ou tempo mal.

A alta velocidade fez que o Clipper fosse usado preferencialmente no transporte de passageiros e cargas valiosas como o chá e o ópio, sacrificando o volume de carga para aumentar a velocidade.

O forte consumo de chá na Inglaterra e em toda a Grã-Bretanha fez que o transporte do chá, desde a Índia, utilizasse uma importante frota de “tea clippers”. Infelizmente, o tráfego de droga fez também o uso desta veloz embarcação entre a China e a Europa, o denominado “opium trade”.
As tonelagens transportadas pelos “clippers” tiveram a seguinte evolução:
Early Clipper 1795 – 200 t
Enlarged Clipper 1833 – 494 t
Bow Clipper 1839 – 150 t
Tea Clipper 1839 – 650 t
Opium Clipper 1842 – 100 t
Tea Clipper 1844 – 581 t
Extreme Clipper 1845 – 757 t
Medium Clipper 1854 – 500 t
Last Clipper – 1870 – 400

O estaleiro Fernald & Pettigrew na Badger’s Island, Kittery, Maine, Estados Unidos, construiu diversos “clippers” de maior porte chegando a 1611 toneladas, de acordo com a tabela abaixo:

 Typhoon, 1851, 1.611 tons
Red Rover, 1852, 1.021 tons
 Young Australia, 1852, 766 tons
Water Witch, 1853, 1.204 tons
 Dashing Wave, 1853, 1.180 tons
Midnight, 1854, 962 tons
Noonday, 1855, 1.189 tons
fonte: Maritime History Virtual Archives

O “Flying Cloud” foi o “fita azul” (recordista) no trajeto Nova Iorque à São Francisco, via Cabo Horn, em 89 dias e 8 horas em 1854, recorde que permaneceu até 1989. A alta velocidade dos Clippers foi utilizada no transporte de passageiros para a Corrida do Ouro da Califórnia e a emigração para a Austrália e Nova Zelândia.

As últimas versões dos Clippers chegaram a ter o casco de madeira revestido de cobre, para minimizar a incrustação de cracas e mariscos, chegando mesmo a ter casco de ferro já no período do navios a vapor.

Em 1869, a abertura do Canal de Suez possibilitou que os “Vapores” dominassem o “tea trade” e os clippers entraram em decadência.

A painting of the Noonday from the publication "Sailing Ships of New England," by C. B. Webster

 

Referências: http://www.pressherald.com/2014/09/19/after-151-years-wreck-of-maine-built-clipper-ship-found-off-california/

 

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