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As boas ancoragens que dava o Lagamar e o sucesso inicial do povoado fez com que Brás Cubas construísse um hospital para atender os casos de saúde dos marinheiros e das pessoas que ali residiam. O nome escolhido foi Hospital da Misericórdia de Santos. Nos princípios de 1547, o hospital teve anexo uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia.

No século XVIII, o porto movimentava sal importado de Portugal, e açúcar cujas exportações exigiam embarcações maiores.


A muralha formada por blocos de pedras vindas da pedreira do
Jabaquara. Na parte interna as águas foram aterradas e foram
instalados armazéns portuários. - Imagem do livro, Santos & Cia.
Docas 1904, de Laire J. Giraud

Essa movimentação exigia a construção de trapiches, que eram armazéns onde eram depositadas as mercadorias. Os trapiches possuíam pontes de madeira que avançavam sobre o lodo, permitindo a movimentação de cargas e passageiros dos veleiros. Por volta de 1850, as exportações de café superaram as do açúcar, fazendo que Santos fosse o Porto do Café, pois já exportava 80% da produção brasileira. Nas décadas seguintes com o aumento da produção e do consumo mundial, estava consolidado um fluxo de exportação que exigia um porto organizado.

Vale lembrar, que em 1889, existiam 23 pontes de trapiches, e a situação era caótica em todos os aspectos, como doenças, inoperância e elevado número de furtos de mercadorias. A maior de todas, pertencia à Alfândega. Era tão larga que se assemelhava a um dique flutuante. Na praia do Consulado, retratada por Benedito Calixto, ficava a Ponte da Mesa Provincial. Entre essas inúmeras pontes, destacava-se a da Estrada de Ferro São Paulo Railway, que ficava ao Largo do Bispo, além de outras famosas como Belmarço, Brazil e Paquetá.


A Praça Barão do Rio Branco fica onde era o Arsenal de Marinha, e com
o aterro deu espaço para construção da Praça, que fica em frente à
Igreja da Nossa Senhora do Carmo. Ainda vemos os antigos
armazéns 4 e 5, ao lado direito o Santos Hotel, onde hoje é o edifício
da Justiça Federal. No centro da praça, a estátua que homenageia
os fundadores da Cia. Docas de Santos: Eduardo Guinle e Cândido
Graffé - 1928. Acervo: L. J. Giraud

Em 1888, o Governo Imperial abriu licitação para construção e exploração do novo Porto. Participaram três consórcios. O vencedor foi a empresa Gaffré, Guinle & Cia, mais tarde, a célebre Cia. Docas de Santos - concessionária do Porto de Santos até 1980.

A construção foi supervisionada pelo engenheiro Guilherme Weinschenk, e sua inauguração aconteceu em 2 de fevereiro de 1882. Esse cais inicial media 260 metros, e o navio que o inaugurou foi o britânico Nasmyth da armadora Lamport & Holt, que foi muito conhecida no Brasil.

A construção do cais se deu em duas etapas. A primeira, entre o Valongo e o Paquetá, a segunda ia do Paquetá até os Outeirinhos, dois pequenos montes que ficavam onde hoje está situado o terminal de passageiros do Concais.


Vista aérea da área portuária construída na parte aterrada do
Estuário, local onde estão os armazéns internos e externos - 1932.
Acervo: L.J.Giraud

Com a construção do cais, a Companhia Docas além de ter dado fim a brejos inúteis, insalubres e pestilentos, criou com os aterros, novos espaços sobre as águas, necessários às suas instalações portuárias, e ainda passando para a Cidade de Santos o excedente desse notável avanço sobre o Estuário.

Daqui em diante as informações são do inesquecível memorialista Pedro Bandeira Jr., autor de vários artigos e do livro História do Carnaval Santista. Com o assentamento dos blocos de pedras, vindas do Morro do Jabaquara, em distância considerável à margem original, a fim de permitir atracação de navios de grande porte, a Cidade ganhou vários quilômetros quadrados, o que permitiu a expansão urbana.


Cartão-Postal mostrando as praças Barão do Rio Branco e Azevedo Jr.,
antiga Banca do Peixe, além de armazéns, torre da Bolsa do Café, e
ao fundo o prédio da Western Telegraph, que ficava próximo de onde é
hoje a Agência Marítima Wilson,Sons. Década de 1920.
Acervo: L.J.Giraud

Algumas dessas áreas surgidas: com o aterro do Porto do Bispo, cujas águas chegavam à Rua Tuiti, foram construídos armazéns portuários, além de permitir o surgimento do Largo Marquês de Monte Alegre, Praça Azevedo Junior.

O aterro no Arsenal de Marinha, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, permitiu o surgimento da Praça Barão do Rio Branco, onde está situado o monumento dos fundadores do Porto, indo em direção da Alfândega, local que anteriormente banhava o prédio da Rua Setentrional (lado direito da Praça da República), alargou a Rua dos Quartéis, antiga do Mar, atual Rua Xavier da Silveira.


Foto de 1901, onde aparece em primeiro plano o Eng. Guilherme
Weinschenk e diretores da C.D.S. - Weinschenk foi quem
supervisionou a construção do Porto de Santos. - Do livro Santos
e a Cia. das Docas 1904, de L.J.Giraud

Entre a Ponta do Camarão (Escritório do Tráfego da C.D.S) até os Outeirinhos (antiga chácara do Patriarca José Bonifácio de Andrade e Silva), a margem do Estuário era uma curvatura que chegava nas esquinas formadas pelas ruas Silva Jardim e D. Luiza Macuco. Ali havia um hospital, aonde os enfermos chegavam dos navios em canoas. Para se ter uma idéia, as águas chegavam nos fundos do cemitério do Paquetá.

Sobre essa curvatura soterrada, a Companhia Docas de Santos construiu 12 armazéns alfandegados, 29 armazéns na faixa portuária, o prédio do Ministério da Agriculltura. Abriu várias ruas e avenidas, entre elas: Eduardo Guinle, Guilherme Weinschenk, Ulrico Mursa, e parte da Praça Iguatemi Martins, que inclui a bacia do Mercado.


Foto do cais de Santos na altura do Valongo (primeiro
trecho construído, por volta de 1904). - Livro: Santos
& Cia das Docas de Santos - 1904, de L.J.Giraud

Com o desmonte dos Outeirinhos, a CDS nivelou o trecho do armazém 25 até o início da Av. Rodrigues Alves (antiga Av. Taylor), no qual ergueu os armazéns 26 e 27, silos de trigo e vários prédios para a sua administração. Entre eles o da Inspetoria Geral e oficinas. No decorrer do tempo os aterros chegaram até a Ponta da Praia. Também não damos conta disso quando passamos pela Av. Mário Covas, antiga Portuária.

Como dizia, durante tertúlias vespertinas, no Café Paulista o poeta e advogado Narciso de Andrade: “O Porto de Santos é um repositório de histórias e acontecimentos”.


A parte do cais onde havia trapiches e pontes de embarque, que foram
aterradas para dar lugar ao cais de pedra - 1955. Acervo L.J.Giraud


Vista do Cais Novo, ou cais do Macuco, como era
conhecido o local que se iniciava no armazém 29.
Nota-se que ainda não existia a Av.Portuária, atual
Av. Mario Covas que segue na direção da Ponta da Praia.
Final dos anos 60. Livro: Photografias & Fotografias
do Porto de Santos, lançado em 1996, de L.J.Giraud.

Fontes
Santos Cidade Marítima, autores: José Carlos Rossini, Laire J. Giraud, Fábio Mello Fontes, Jaime Caldas - Almanaque de Santos – 1976, Olao Rodrigues.

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