Na última coluna indaguei sobre os dados que apontavam uma diminuição da presença da mão de obra feminina nos portos, ao mesmo tempo em que apontavam um aumento significativo do número de trabalhadores em carga e descarga nos últimos anos. 

Deixei esta questão de lado e iniciei a leitura do livro de Tânia Zotto, O trabalho de estiva. Modernização x Tradição: os desafios da tecnologia e da gestão do cais. Consequentemente, a questão voltou a tona.

O livro de Tânia preocupa-se com a automação das operações após a modernização portuária e as conseqüências trazidas para a estiva, no caso, os estivadores do Porto de Santos. Entre outros pontos, Tânia atenta para a necessidade de relativizar o discurso sobre o uso dos equipamentos automáticos nos processos de carga e descarga.

Porto de Navegantes, em Santa Catarina, tem alto índice de automação

 

Tal afirmação se dá pelo fato de muitas operações regidas pela máquina ainda utilizarem, em alguns casos de forma intensiva, a mão de obra. Ou seja, a ideia de que a automação do processo de trabalho gera automaticamente redução da mão de obra, no caso dos trabalhadores portuários, precisa ser vista com maior atenção.

Um dos exemplos é o carregamento de açúcar (o Ogmo Santos contratou estivadores no mês de setembro para trabalharem no embarque da safra do açúcar, corroborando com a argumentação apresentada neste artigo e por Tania Zotto), que utiliza shiploaders, reduzindo o pessoal de costado, mas aumentando o número de trabalhadores nos armazéns e nos porões, visto que as esteiras aceleram o embarque ou desembarque do açúcar, intensificando o trabalho.

Desta forma, os dados, junto com os argumentos apresentados por Tânia, mostram que a modernização não necessariamente reduz o uso da mão de obra, mas consequentemente requalifica seu uso, fazendo com que precisemos repensar as habilidades e competências necessárias ao novo trabalhador portuário.

Referência bibliográfica
ZOTTO, Tânia Christina. O trabalho de estiva. Modernização x Tradição: os desafios da tecnologia e da gestão do cais. São Paulo: LTr, 2002

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