Na última coluna falei sobre minha passagem no Fazendo Gênero, congresso internacional realizado em Santa Catarina. De lá para cá venho atentando as questões de gênero e ficado com algumas dúvidas quanto a relação gênero e trabalho portuário.

Estou escrevendo um artigo para o 34º Encontro Anual da ANPOCS, para o qual fiz algumas tabulações de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) referentes ao grupo ocupacional dos estivadores e ao gênero. Muito me espantei a perceber que pela RAIS, que expõe dados referentes ao mercado de trabalho formal brasileiro, entre os anos de 1990 e 2009 há um aumento do número de estivadores empregados, assim como uma diminuição da participação das mulheres no trabalho portuário. Ora, se o processo de modernização diminui a necessidade de força física e substitui o homem pela máquina, supõe-se que houvesse uma redução do quadro de trabalhadores concomitantemente a maior presença da mulher neste quadro.  Mas, os dados sugerem o contrário.

Desta forma, algumas questões passaram a rondar a minha cabeça. Onde estão estes estivadores indicados pela RAIS? Nas operadoras portuárias ou nos OGMOS? Porque a RAIS mostra este aumento, sendo que os dados apresentados pelos sindicatos de categoria mostram o contrário? E com relação as mulheres, porque elas deixam o trabalho portuário ou melhor, porque elas não entram neste mercado de trabalho no Brasil?

Coloco estas questões para que juntos possamos pensar a relação entre os dados, que visam a ser um retrato da realidade, e a realidade concreta, além de saber o que leva as mulheres a entrarem no mercado de trabalho portuário e não permanecerem nele, ou nem mesmo cogitá-lo como possível profissão. Afinal, quais as resistências que este universo que foi por tanto tempo estritamente masculino ainda coloca para as mulheres, se é que estas resistências existem. Sejam bem-vindos e participem deste debate!

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