Desde seu lançamento, em 2006, muito se falou do livro do economista e ex-editor do The Economist Marc Levinson. Intitulado The Box: How the Shipping Container Made The World Smaller and the World Economy Bigger, foi traduzido para o português em 2009 pela editora portuguesa Actual.

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O livro é muito interessante, pois pela primeira vez traz a história da construção e implantação do container no comércio mundial. Entretanto, considero que o autor supervaloriza o container como o grande revolucionário do sistema portuário internacional e, consequentemente, da economia global. Não que eu descarte a responsabilidade dele neste processo, entretanto considero que existem outros elementos que permitiram que o container revolucionasse o processo produtivo nos portos e a economia global.

Um destes elementos é a conjuntura econômica da época de surgimento do container. Segundo Levinson, a primeira viagem de um container foi em 1956, ou seja, 11 anos após o final da 2ª Guerra Mundial. Os containeres foram formas de desenvolver o comércio local de muitas regiões atingidas pela guerra e que careciam de um desenvolvimento acelerado.

Além disso, o container toma maior força nas décadas de 1970 e 1980, quando muitos países passaram a adotar projetos políticos liberalizantes, com redução de custos trabalhistas e privatizações. Neste contexto, os portos são pontos de destaque, pela alta mobilização dos trabalhadores, conseguida pelo processo de trabalho manual, que requeria um grande número de trabalhadores. Desta forma, o container contribui para a redução deste contingente e, consequentemente, para a implantação destas políticas.

Realmente o container é a caixa que mudou o mundo, entretanto, podemos dizer que apenas porque o mundo também permitiu que ele o mudasse.
 
Referência bibliográfica
LEVINSON, Marc. The Box: how the shipping container made the world smaller and the world economy bigger. Princeton/USA: Princeton University Press, 2006

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