Semana passada, PortoGente publicou uma entrevista com o presidente do Sindicato dos Empregados Portuários de Valparaíso (Chile) que falava sobre a redução dos postos de trabalho nos portos chilenos e sobre a mudança de perfil do trabalhador portuário. Anteriormente, em um seminário realizado em meados de março de 2010 na cidade de Santos, o Presidente do CAP-Santos, Sr. Sergio Aquino, anunciou que os trabalhadores portuários deverão ter conhecimentos de informática e um segundo idioma, de preferência o inglês, para poder atuar nos portos brasileiros. Ou seja, novos conhecimentos que compõem um novo perfil de trabalhador.

Toda esta mudança de perfil tem trazido trabalhadores com alta qualificação, boa parte com curso superior completo. Entretanto, fica a questão: até que ponto estes trabalhadores estão envolvidos com o sentimento portuário de outrora? Levanto esta questão pela observação da ação coletiva entre os trabalhadores portuários. Enquanto vimos nossos “hermanos” argentinos se mobilizarem na semana passada por melhores salários, nossos portos passam por mudanças drásticas e pouco ou nenhuma movimentação dos trabalhadores acontece. Seria a mudança do perfil do trabalhador também uma transformação na relação deste com o movimento sindical?

Tal fato pode ser ratificado por breve análise das diretorias sindicais. No caso do Porto de Santos, as últimas eleições sindicais dos principais sindicatos portuários reelegeram as antigas diretorias, algumas com eleição de chapa única. Ou seja, ou há um consenso da força das atuais diretorias ou não há trabalhadores interessados em defender os rumos de suas categorias.

Podemos dizer que as transformações ocorridas no mundo do trabalho, de forma generalizada, trouxe uma fragmentação da ação coletiva, principalmente por conta da flexibilização do trabalho, que faz com que a luta pelo mercado seja mais acirrada, tornando o trabalhador mais individualizado.

No caso dos portos, a redução dos postos de trabalho gerou, nos termos de Karl Marx, um exército de reserva pronto para atuar caso necessário. Entretanto, a necessidade de maior qualificação para exercício da profissão tornou-se um funil, fazendo com que o exército de reserva torna-se menor ou, em alguns lugares, inexistente.

Desta forma, a concorrência como fator para a desmobilização da ação coletiva não é justificativa no caso dos portuários. Entretanto, a constante reeleição das diretorias, ou seja, uma perpetuação das mesmas ações das épocas pré-modernização pode levar os novos trabalhadores a não se sentirem parte dos movimentos. Isto, pois, você pode ser parte da categoria, mas não se reconhecer naqueles que o representam.

Talvez, repensar as ações do movimento sindical operário dentro das perspectivas do novo trabalhador portuário, mas sem perder de vista a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho, seja a solução para mobilizar um grande número de trabalhadores, homens e mulheres, que todos os dias se envolvem na difícil tarefar de movimentar a economia do País.

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