Há algum tempo vemos a introdução das tecnologias no mundo do trabalho. Aos poucos, as tecnologias vão tomando o lugar de milhares de trabalhadores em linhas de montagem, caixas bancárias e também nos portos de todo mundo.

 

Verificamos nas linhas de montagem a introdução da microeletrônica, que trouxe seus imensos robôs que fazem em minutos o que os homens levariam horas para realizar. Nos bancos, notamos a criação dos caixas eletrônicos, nos quais é possível realizar desde saques até empréstimos sem contato humano, apenas interagindo com a máquina. Com a introdução do banco pela Internet, o processo ficou ainda mais fácil, permitindo ao cliente efetuar operações financeiras sem ao menos tirar o pijama. Desta forma, bancários viraram vendedores de serviços financeiros e, tal como os operadores de telemarketing, também possuem metas, intensificando o trabalho bancário.

 

Nos portos, a inovação começou com a entrada do contêiner e da carga unitizada e se expandiu para a criação de softwares de conferência de cargas, eliminando diversos postos de trabalho. As alterações afetaram de estivadores a consertadores, passando por operários portuários.

 

Com este quadro, é impossível não pensarmos nas tecnologias como vilãs do mundo do trabalho. Afinal, sua introdução faz com que milhares de trabalhadores tenham modificadas suas práticas de trabalho ou mesmo fiquem sem trabalho. Porém, as tecnologias também têm pontos positivos, que facilitam nossa vida em diversos sentidos.

 

Vejamos o caso das linhas de montagem. Antes da chamada reestruturação produtiva, ou do processo denominado toyotismo, era impossível personalizarmos nosso carro, comprá-lo de fábrica da forma que quiséssemos, incluindo a escolha da cor. Hoje, as montadoras oferecem este serviço via Internet, no qual o comprador em potencial escolhe modelo, cor e acessórios que deseja colocar no seu carro novo. O just-in-time, processo no qual o carro é fabricado após a sua venda, permitiu que tal bem fosse mais pessoal e exprimisse o gosto do comprador.

 

No âmbito dos bancos, a facilidade de caixas eletrônicos, bancos por telefone e Internet é grande. Os bancos funcionam, na maioria das cidades brasileiras, das 11h às 16h, horário em que muitos de nós estamos trabalhando e encontramos dificuldades para irmos ao estabalecimento. Desta forma, esquecermos de pagar uma conta é fácil. Com os caixas eletrônicos e demais facilidades tecnológicas, podemos pagar aquela conta até às 22 horas sem prejuízo de multa. Ou seja, para o usuário final, a tecnologia facilitou muito.

 

E nos portos, como podemos encarar a tecnologia? Podemos dizer que, apesar das perdas de postos de trabalho, a tecnologia facilitou o trabalho portuário. A carga unitizada faz com que muitos trabalhadores não envelheçam mais rápido e tenham problemas oriundos do carregamento de cargas. Também permitiu que a conferência anotada manualmente pudesse passar a palms e outras tecnologias móveis, além de realizar o planejamento da carga por meio de softwares computacionais. O tempo que muitos trabalhadores gastavam neste processo, inclusive em tempo livre, pode ser otimizado para outras frentes.

 

Claro que no caso dos portuários avulsos, sabemos que o ganho está relacionado ao número de horas trabalhadas, ou seja, por mais que a tecnologia melhore as condições de trabalho, ela agiliza o processo de trabalho e, consequentemente, diminui o ganho. Desta forma, é necessário repensarmos a forma de pagamento, aliada às tecnologias e à crescente produtividade dos portos brasileiros.

 

Talvez, o caminho da vinculação seja o mais indicado, porém, este é um fato que deve ser bem analisado por todas as partes envolvidas. Outra possibilidade é a criação de um piso salarial mínimo para os avulsos. Assim, talvez possamos ver a interação humano-máquina não apenas como vilã, mas como algo que facilita o trabalho e permite aos indivíduos maior tempo livre.

 

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