Olá, família portuária. É com imensa satisfação que hoje inicio a minha participação como colunista de PortoGente. Este site que alguns meses atrás foi minha fonte de dados, hoje é o canal de comunicação através do qual espero contribuir cientificamente para a discussão dos assuntos relativos ao mundo do trabalho e principalmente, ao mundo portuário. Mundos esses que me são muito caros, principalmente porque não possuo a visão de “outsider”, mas sim de “nativa”.

 

Nasci na cidade de Santos/SP em 1976. Dois anos antes meu pai havia ingressado como trabalhador portuário avulso em Santos, pelo concurso para conferente de carga e descarga. Desde então, a família Diéguez passou a fazer parte da imensa família portuária. Como moradora da cidade de Santos eram normais as idas a praia, da qual, sentada na beira do mar, observava a entrada e saída de navios da barra de Santos. Entretanto, como filha de portuário era mais interessante olhar para os navios e imaginar seu pai percorrendo os mesmos todos os dias.

 

Aos poucos fui compreendendo um pouco mais sobre o que era o mundo portuário. Em 1991 vivi junto com a minha família, assim como com todas as outras, a angústia da tramitação do PL 8 que em 1993 tornou-se a Lei nº 8.630, velha conhecida de todos nós. Durante estes dois anos tive contato com valores como amizade, lealdade, solidariedade, tão presentes entre os trabalhadores portuários e que nestes tempos obscuros realçaram-se aos meus olhos. Além disso, foi possível entender um pouco mais sobre o universo portuário e suas instituições sindicais. Tudo aquilo me intrigava e eu queria entender um pouco melhor o que estava acontecendo naquele Porto do Atlântico.

 

Em 1995 ingressei no curso de Ciências Sociais na UNESP-Araraquara. No terceiro ano de faculdade tive contato com os estudos sobre trabalho e sindicato. Um deles muito me chamou a atenção. Em “Trabalhismo em Ação”, seu autor Adrian Paradis expunha uma análise sobre o movimento sindical norte-americano e pela primeira vez em minha vida científica ouvi falar em algo que eu perseguiria como objeto de investigação: o sistema de closed-shop. Naquele momento entendi realmente qual era a questão discutida e rediscutida durante o período de tramitação do PL 8 e da promulgação da Lei nº 8.630. Entendi o sentido e o significado das greves, das lutas, dos embates, da solidariedade. A ciência tornou a realidade inteligível aos meus olhos.

 

E é neste sentido que quinzenalmente Porto Ciência estará à disposição de vocês, leitores deste site. Visto que a ciência social é uma ciência empírica que nos permite a apreensão de elementos objetivos da realidade concreta, espera-se que através desta coluna possamos proporcionar uma análise científica dos assuntos relativos ao mundo do trabalho e ao mundo portuário, de forma a contribuir positivamente para o debate e para a construção de novas possibilidades.

 

Até breve!

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