Transporte / Logística

Nelson Antunes Mattos passou mais de cinco décadas de sua vida trabalhando no cais santista e atuando no meio sindical. Em 1950, começou a exercer a função de conferente de carga e descarga. Após cinco anos tornou-se presidente do sindicato da classe na região. Completou uma gestão de dois anos, de 1955 a 1956. Voltou à presidência do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga de Santos em 1965 e cumpriu mais seis mandatos, saindo no ano de 1982. Incansável, foi mais uma vez presidente em 2000, após ser vereador por Santos em seis oportunidades, e totalizou um total de oito gestões à frente da entidade, um recorde abslouto. Com 80 anos completados, segue ativo no sindicato, sendo o atual vice-presidente. Está sempre transitando pelos corredores da sede, buscando o melhor pela categoria e conversando com os velhos amigos.Mattos conta que o conferente de carga e descarga é uma profissão imprescinídvel para a movimentação portuária desde os tempos mais antigos porque não existe possibilidade da carga entrar ou sair de bordo sem ser devidamente conferida pelos responsáveis. A categoria presta serviço aos operadores portuários, companhias de seguro, armadores e a todo o círculocomercial, seja ele importador ou exportador.Como conferente, Mattos lembra que trabalhou a maior parte do tempo na cabotagem (transporte de mercadorias de porto brasileiro para porto brasileiro). "A cabotagem exigia muita mão-de-obra e muito trabalho. Para se ter uma idéia, compreendia do armazém 1 ao armazém 10 do Porto de Santos e o cais, na época, só ia até o armazém 27".Antes de atuar como conferente, Mattos trabalhou em escritórios de contabilidade e de agências de navegação. No entanto, depois que chegou ao cais santista, só saiu para dividir tempo com a luta sindical dos trabalhadores. "O presidente do sindicato é afastado da produção para dar assistência total ao sindicato". Quando optou de vez pelo meio político, Mattos pouco pôde exercer o trabalho de conferência.Além de vereador, Mattos foi também um dos fundadores do Fórum Sindical de Debates, em 1956, durante sua primeira gestão no Sindicato dos Conferentes. "E ainda fui um dos fundadores da Federação Nacional Portuária. Digo isso com muito orgulho". A Federação agregava todas as categorias de trabalhadores doporto, exceto a estiva, qu possuía federação própria. "Esse órgão tinha grande importância, pois reunia as entidades sindicais de cúpula e os acordos trabalhistas eram feitos nacionalmente, abrangendo as mais diversas profissões relacionadas ao porto".SegurançaEmbora ressalte que a atividade portuária é muito arriscada, estando o trabalhador da área sempre sujeito a acidentes e doenças, Mattos exprime grande preocupação com a questão da segurança. "Não havia segurança para o conferente trabalhar naquela época, como não há até hoje. Assisti desastres nos quais morreram vários trabalhadores portuários". Ele disse que também não é incomum a lingada - grande quantidade de carga amarrada para ser transportada para a embarcação - causar acidentes fatais ao cair em cima dos trabalhadores.O atual vice-presidente do Sindicato dos Conferentes acrescenta que na década de 90 aconteceram dois acidentes que vitimaram trabalhadores da categoria. Ele acredita que a pressa da produção faz com que os trabalhadores corram e não tenham a cautela necessário. "Esse é um fator fundamental, é preciso tomar cuidado enquanto se exerce a atividade. Além disso, falta segurança nos navios. E ainda que tudo isso seja resolvido,acontecerão fatalidades. Todas as normas de segurança estão sujeitas ao comportamento humano, que é imprevisível".Para evitar tragédias, Mattos diz que o conferente trabalha no local que seja o mais seguro para realizar sua produção. Pode ser em terra, nas instalações portuárias ou a bordo - no porão ou no convés dos navios. "O que determina essa escolha para maior segurança do trabalhador é a mercadoria e o tipo de embarque que será realizado".RegulamentaçãoMattos considera a regulamentação da profissão, oficializada em 1956, como o seu principal feito como líder da categoria. "Antes era regulamentada, mas precariamente. Essa ação ofereceu melhores condições para todos exercerem a profissão". Ele destaca o apoio dos amigos para concorrer, ainda tão jovem enovo na profissão, à presidência do sindicato. Segundo Mattos, o estímulo de ser uma esperança de renovação para a classe o levou adiante.Entre outros êxitos alcançados durante os mandatos na entidade, Mattos menciona o direito a férias e décimo-terceiro salário por parte dos trabalhadores, fundo de garantia e pagamento de produção. "Mesmo com a Revolução de 64 tirando os direitos dos trabalhadores, batalhamos e conseguimos novamente".Mattos acredita que na atualidade todos os sindicatos têm que ser reformulados, procurando se adaptar ao panorama mundial. "Cabe aos diretores, categoria na qual me incluo, estabelecer linhas de respeito, disciplina, honestidade e dedicação. Devem agir como se a sede sindical fosse um templo religioso ou um segundo lar porque da atuação de nós dependem milhões de famílias". A preocupação do vice-presidente reside no fato dos sindicatos serem conhecidos como locais de bagunça e disporem de pouca força atualmente.PolêmicaDe acordo com Mattos, a relação entre os conferentes é pacífica. No entanto, há uma divisão no setor que não agrdada nada ao vice-presidente. Além dos conferentes de carga e descarga, cujo sindicato tem sede na Rua João Pessoa, 296, existe a categoria dos conferentes de capatazia no cais santista. Eles têm sindicatos diferentes e existem discordâncias entre as cúpulas. "Estou tentando conciliar as duas partes, abrindo as portas para que se integrem ao nosso sindicato". Ele afirma que todos deveriam se unir para ter mais força. "Estou tentando agregar. Então, se eles não entram em acordo é porque não querem".O vice-presidente diz que busca facilitar a relação, mas o "outro lado" nem sempre parece disposto a isso. Mattos conta que os conferentes de capatazia surgiram como mão-de-obra mais barata para efetuar o mesmo trabalho de carga e descarga para os empregadores que não queriam pagar o valor estipulado pelos conferentes de carga e descarga.LazerComo não é possível viver somente de cais e de sindicatos, Mattos possui vários tipos de lazer, em geral, relacionados com a profissão que exerce. "Gosto de ler, leio bastante, mas não tanto quanto o necessário. Leio jornais e livros de não-ficção. Prefiro a realidade. Gosto, em especial da área científica". Ele conta que também acompanha o noticiário do setor e assiste programascientíficos na televisão.Na juventude, Mattos foi jogador juvenil da Portuguesa Santista. Até hoje tem o futebol como seu esporte predileto. É sócio da Briosa e do Santos Futebol Clube e acompanha as equipes nos campeonatos que disputam. No porto, participou de amistosos e pequenos torneios de futebol entre os conferentes de carga e descarga. "Nós jogávamos entre turmas. Certa vez integrei a Turma 7 e nosso time foi campeão. Na final ganhamos de 2 a 1 e eu marquei um dos gols. O outro foi marcado pelo Paiva, que foi centroavante profissional de destaque na Portuguesa Santista".Para o futuroO Porto de Santos passa por evoluções técnicas e desenvolvimento tecnológico que, a cada ano, ficam mais intensos. Entretanto, para efeito de mão-de-obra, Mattos acredita que a situação já esteve melhor para os trabalhadores. "Até o poder aquisitivo caiu".Para Mattos, o porto responsável pela movimentação de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional tem sido discriminado ao longo dos últimos anos. "Outros portos recebem mais recursos governamentais do que o Porto de Santos, como é o caso de Sepetiba, terminal recente do Rio de Janeiro".Ele diz ser imprescindível uma política de desenvolvimento com melhor distribuição de renda para terminais, empresas e mão-de-obra relacionadas ao porto. "Tendo em vista o mercado internacional no qual a China e outros países asiáticos impõem seus serviços com mais produtividade e menos custo, o futuro do Porto de Santos é incerto".

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O cultivo do trigo se confunde com a história da humanidade. Fonte de energia, a produção mundial de trigo ultrapassa os 500 milhões de toneladas. Dele é derivado um alimento comum na mesa dos brasileiros: o pãozinho.

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A adequação às normas impostas pelo ISPS-Code requer implantação de equipamentos e desenvolvimento contínuos. E mesmo com o cumprimento de tudo o que está redigido no Código, a segurança de quem lida com a atividade portuária não é garantida. Por isso, é fundamental o monitoramento incessante da área do porto, além de criar sistemas que priorizem, especialmente, a segurança dos trabalhadores. O mestre em Estruturas Ambientais Urbanas e coordenador-geral do Departamento de Programas de Transportes Aquaviários, Edison de Oliveira Vianna, conta que o Porto de Santos começou a se adequar às normas do ISPS-Code a partir de julho de 2004. Ele afirma que, atualmente, toda área do canal do estuário é monitorada por câmeras. “Em breve serão instalados radares para monitorar, também, os 34 km de fundeio do Porto de Santos”. Vianna acrescenta que o que a primeira etapa de adaptação ao ISPS-Code foi concluída em agosto de 2005. Já a segunda etapa, tem previsão para ser finalizada em julho de 2007. “Falta a implantação de câmeras fixas para o monitoramento da interface cais-navios. O monitoramento será realizado diuturnamente. As imagens serão gravadas e poderão ser disponibilizadas caso haja necessidade”. Em breve serão instaladas bóias que apontarão a velocidade do vento e variação das marés, além da implantação de um sistema de radares marítimos que identificará toda a rota nos navios que estiverem na Baía de Santos. Vianna lembra que trata-se de um trabalho árduo já que, além da implantação, existe a necessidade de manutenção permanente de todos os equipamentos.A escala eletrônica de trabalho é outro fator cuja implantação busca modernizar e evitar o acesso de pessoas mal intencionadas no cais. Vianna destaca que a escala eletrônica, assim como outros sistemas de segurança, não deve afastar Porto e Cidade. “Não deve ser algo à parte, que afaste a população do Porto” comenta, mas sem deixar de mencionar a importância da medida para a segurança do trabalhador.O que já existeNão são poucos os sistemas e equipamentos impostos pelo ISPS-Code que estão espalhados ao longo do estuário santista. Vianna destaca que houve melhoria substancial da iluminação. Para evitar invasões à área portuária, foram construídos muros. “Também houve a colocação de cancelas e catracas e a construção de 28 gates (portões) que controlam o acesso ao cais”. Atualmente, guardas portuários trabalham nos portões. Eles exigem identificação de quem deseja entrar no porto.É exigida a identificação até mesmo de funcionários administrativos da Codesp, assim como de pessoas que vão visitar o prédio da presidência da Companhia. “Tem gate até na Ilha Barnabé”, exclama Vianna.Para monitorar os sistemas de segurança e de comunicação, foi construído o Centro de Controle Operacional (CCO). O local recebe imagens de câmeras de tv de diversos pontos do porto, incluindo das áreas de acesso. Vianna afirma que desde agosto de 2005 o Centro é monitorado pela Guarda Portuária de Santos. “São 228 câmeras instaladas no total, sendo 199 fixas e 29 móveis”. Cartões ISPS-CodeO engenheiro e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Mário Dias, conta que o credenciamento de cartões de acesso ao porto demanda bastante trabalho. “Será necessário credenciar cerca de 45 mil pessoas que poderão ter acesso ao Porto de Santos. Ainda haverá muitos percalços nessa implantação”. O credenciamento é efetuado por meio do site www.ispssantos.com.br.João Fernando Cavalcante Gomes da Silva é engenheiro e participou da implantação do ISPS-Code no Porto de Santos. Ele considera uma “barbaridade” a quantidade de 45 mil cartões a serem cadastrados. João Fernando diz que o Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp) está auxiliando no credenciamento para agilizar o processo. “É feito um termo de cessão e uso com o Sopesp. São os operadores portuários que entram no cais, por isso os próprios operadores estão nos ajudando”.A Codesp divulgou que os cartões referentes ao ISPS-Code começarão a ser utilizados de modo híbrido a partir de 15 de abril de 2006. Os cartões contêm fotografia e biometria óssea do usuário. De acordo com João Fernando, conforme forem credenciados a maioria dos trabalhadores, alguns responsáveis de empresas receberão login e senha do site que realiza o cadastro para que registrem os seus trabalhadores.João Fernando conta que o banco de dados dos cartões credenciados é da Codesp. “A impressão é de responsabilidade da Guarda Portuária. Somente eles podem imprimir. São eles, também, que mandam informações ao gate, permitindo a entrada pelo portão de acesso”.O engenheiro afirma, também, que a escala eletrônica de trabalho faz parte de todo esse processo. “Os trabalhadores também terão o cartão e passarão por todo o processo recomendado pelo ISPS-Code”.

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As previsões meteorológicas não servem apenas para saber, simplesmente, quando fará sol ou quando irá chover. Saber antecipadamente detalhes sobre as condições climáticas de determinados períodos é fundamental para agricultores e atletas, entre outros profissionais. No meio marítimo não é diferente. A meteorologia é parte integrante do cotidiano de quem trabalha com o mar.

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Mais de 20 anos de aventuras e experiências no mar. Um extenso leque de histórias para serem contadas. Atracando em variados portos, praias paradisíacas e longínquas cidades, a Família Schürmann já navegou por águas de todo planeta. Para Vilfredo e Heloísa Schürmann, planejamento e segurança são fundamentais para que tudo corra como o esperado e para que a aventura não resulte em acidentes desagradáveis. Com a experiência, a preocupação com a segurança aumentou gradativamente, afinal, ao navegar pelos oceanos, ninguém está livre de grandes tempestades. Preocupação que se tornou ainda mais relevante quando os Schürmann começaram a levar em suas viagens os filhos ainda pequenos. Uma criança de um ou dois anos de idade requer atenção redobrada. Para transmitir todos os cuidados necessários para uma grande viagem pelo mar, o economista Vilfredo e a escritora e professora Heloísa Schürmann realizam palestras por todo o Brasil. Ouvir as histórias vivenciadas por eles é um grande aprendizado. Ainda motivados a retornar ao mar e navegar, sabem reagir em situações perigosas e adversas. Heloísa afirma que a preparação começa ainda em terra.

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