Em entrevista coletiva realizada na sede da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para divulgar o balanço dos cem primeiros dias de gestão à frente do Porto de Santos, o diretor-presidente Casemiro Tércio Carvalho listou como principais premissas da atuação de sua equipe a promoção comercial do Porto, o resgate da Autoridade Portuária como coordenadora do ambiente portuário de forma integrada, o desenvolvimento de novas áreas portuárias com visão empreendedora e a preparação da empresa para abertura de capital na B3. Ele observou que, além de garantir avanços de infraestrutura, a diretoria trabalha para atrair clientes e "promover Santos como 'gateway' do Brasil".

Casemiro Tércio apresenta balanço de sua gestão - Foto: Bruno Merlin
Casemiro Tércio apresenta balanço de sua gestão - Foto: Bruno Merlin

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O diretor-presidente da Autoridade Portuária ressaltou, em tom de orgulho, o lucro líquido de R$ 68 milhões registrado pela Companhia no primeiro quadrimestre de 2019, para o qual contribuiu ao ter a nomeação aprovada pelo Conselho de Administração (Consad) em 25 de fevereiro. Sobre as críticas recebidas por profissionais que julgam que estatais não devem visar o lucro, Tércio alegou necessitar de recursos em caixa para investimentos e treinamentos e disse torcer para que pessoas com esse tipo de pensamento jamais dirijam uma empresa.

Também ganhou destaque na apresentação oficial a renegociação de oito contratos de serviços, com economia média de 30% sobre os valores originais, proporcionando uma economia de R$ 7,5 milhões por ano e o reajuste de até 75% nos contratos das empresas Fibria, Pérola e Transbrasa. Ele detalhou que as negociações foram transparentes e executadas com planilhas abertas, satisfazendo a todos os executivos. "Antes o cálculo era feito por IGP-M. Preguiça, né?", sentenciou. As ações já realizadas, de acordo com o diretor-presidente, foram marcadas pela firmeza e objetivam beneficiar a Autoridade Portuária tendo a abertura de capital no horizonte. "Hoje, ninguém compraria [ações da Codesp]. Daqui três anos, quem sabe?".

Planos para o segundo semestre

A ameaça interna que mais preocupa a diretoria da Codesp é o passivo referente ao Portus, o instituto de seguridade social dos portuários. Três companhias docas foram designadas pelo Ministério da Infraestrutura para realizar aportes e evitar a liquidação do plano de previdência complementar de mais de 9 mil pessoas. O déficit do Portus ultrapassa R$ 3,5 bilhões e foi a razão que levou Casemiro Tércio e o diretor de Administração e Finanças, Fernando Biral, a dezenas de reuniões em Brasília.

Entre outros planos da atual presidência estão a abertura de um escritório comercial na China, em cidade a definir, concluir a revisão do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) - de forma a concentrar e condensar as operações e estimular a formação de clusters -, realizar uma nova licitação para a obra de acesso à área primária do Macuco e a renovação da marca da Companhia, utilizando o novo nome de "Santos Port Authority", respeitando, segundo o diretor-presidente, os traços originais do logotipo.

Por fim, em sintonia com a política do Ministério da Infraestrutura e do Governo Jair Bolsonaro (PSL), Casemiro Tércio afirmou que sua gestão irá estimular novos arrendamentos e realizar a desestatização de serviços de infraestrutura, como o canal de navegação do Porto de Santos.

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