Terça, 18 Junho 2024

O risco está sempre associado à chance de acontecer um evento indesejado

A situação do terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Porto de Santos expõe uma administração que, há muito, é aquém do padrão que deveria ter o principal porto do hemisfério sul. Na ótica energética, entre tantas demandas a esse gás, como fonte de energia dentro da matriz energética mundial, está a utilização de 2/3 do consumo desse combustível na geração de energia elétrica e reduzir o uso de combustível derivado do petróleo. Daí a importância de incentivar o seu uso nas centrais termoelétricas, como alternativa à geração hídrica. O crescimento da sua importação e utilização, já ocorre no Brasil.

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Foto: iStock/Miroslav_1

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Entretanto, um cenário deficientemente administrado no transporte e armazenamento do GNL nas áreas portuárias, ameaçando a natureza e a população da cidade em torno do porto, abre um debate, a partir do pejorativo Navio-bomba atribuído às embarcações que transportam e armazenam esse gás natural. É preciso reduzir a possibilidade de acidente. Uma situação que as administrações dos portos, com diretores escolhidos por critérios políticos e sem conhecer bem a realidade regional, não priorizam os devidos fundamentos técnicos nas soluções

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Dois documentos fundamentam o conteúdo deste editorial: a dissertação na POLI/USP - Análise de Falhas e Suas Consequências na Operação de Navios Transportadores de GNL - de Dennis Wilfredo Róldan Silva e Análise Quantitativa de Risco de Um Terminal Offshore de GNL no Porto de Suape - de Marília Abílio Ramos e Enrique Lopes Droguett, ambos da UFPE. Portogente também vai analisar os fundamentos do licenciamento da CETESB para o navio atracado no Porto de Santos. Reprovável a indiferença da Prefeitura de Santos ante essa exposição da população santista a grave risco.

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Com destaque, o terminal de armazenamento off-shore - afastado da Costa - é a tendência mundial. A simulação dos cenários mais críticos foi realizada no software PHAST, para os períodos do dia e da noite, pela equipe da UFPE. O maior alcance de vulnerabilidade foi de pouco mais de 6 km. Distância que, no caso de Santos, atinge severamente o terminal de produtos inflamáveis de Alemoa, no Porto de Santos. Ou seja, impraticável. A despeito do licenciamento da CETESB, que é oportuno seu pronunciamento sobre a Análise Quantitativa de Risco, (AQR) nessa área portuária ampla e densamente ocupada por depósitos de produtos inflamáveis. Ameaça a qual estão expostas as pessoas na vizinhança desse terminal, especialmente às ondas de choque.

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O GNL como fonte de suprimento de energia não deixa dúvida. O que causa muito receio é a logística de sua movimentação e armazenamento, sobrepondo o lucro à vida das pessoas ao redor. Como está hoje essa situação no Porto de Santos, com um raio de 6 km em redor que envolve perigos potenciais trágicos, exige uma análise de risco criteriosa e debate aberto, na cidade com 12 excelentes universidades. Principalmente a prática ESG da empresa operadora do terminal.

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Existem mais de 50 eventos de perigo na operação de navios transportadores de GNL. Por outro modo, o número de terminais vem aumentando e, também, a opinião pública cada vez mais contraria à instalação de terminais onshore (junto ao urbano). Por isso, na certeza de menores riscos, essas instalações devem ser, definitivamente, terminais offshore.

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