[...]

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história: 

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada. 

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E, aí, como nunca dissemos nada,
já não podemos dizer mais nada.

[...]

No Caminho com Mayakóvsky”, de
Eduardo Alves da Costa – 1936
(e não de Bertolt Brecht ou
Vladimir Mayakóvsky, como muitos pensam).

Neste articulete-marco, pausa (oportuna) para a poesia!

Uma inspiração que talvez nos ajude a entender o porquê (e o como) chegamos onde estamos... e, esperançosamente, nos ajude a sair desse imbróglio.

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(*) Este é o 250º articulete de “PERISCÓPIO”; coluna semanal desde MAR/2011: Sérgio Fortes me desafiou (a escrever regularmente) e Jama generosamente me convidou (para ser colunista de “Portogente”): Obrigado, irmãos! Espero ter atendido às expectativas.

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