“A verdadeira dificuldade não está em aceitar
ideias novas, mas em escapar das antigas”

(Keynes)

“Nós devolvemos ao povo, de forma organizada,
o que dele aprendemos desorganizadamente”

(Mao Tsé-Tung, entrevistado sobre seu papel)

Eleições municipais se aproximam. Que temas dominarão o debate? Há soluções para os problemas urbanos que se avolumam? Sendo portos, funcionalmente, elos de cadeias logísticas e agentes de desenvolvimento regional, há alguma particularidade? Haverá algo de novo para a interface porto-cidade?

Ah! Qual, mesmo, o objeto da disputa? Governar o que? Mesmo sabendo haver infindáveis conceitos e enunciados, arrisco uma (livre) definição:

Cidades são, materialmente, conjuntos de infraestruturas, ativos e fluxos; e, imaterialmente, de patrimônios (histórico, artístico e cultural), distribuídos sobre um território, parte de um ecossistema, onde, sobre e com o qual pessoas, individualmente ou em comunidades, sociedades e arranjos produtivos se relacionam, compartilham sonhos e projetos, e produzem e consomem bens e serviços.

Complexo? Prolixo? Para aqueles que só vêm um orçamento e um conjunto de cargos em disputa, certamente sim ...

Para fazer face a tal cidade, que tal um prefeito 3 em 1?

Síndico de um condomínio (dentro dos limites municipais), que: i) Gerencie a manutenção e operação das Infraestruturas e dos ativos públicos; dentro de padrões pré-estabelecidos; ii) Gerencie processo de estabelecimento de padrões de manutenção e operação de ativos privados e zele pelo seu cumprimento (“Lei Cidade Limpa”, p.ex); iii) Idem no tocante a fluxos; e os gerencie quando utilizando infraestruturas e ativos públicos.

Líder de uma comunidade, envolvendo: i) Mobilização de cidadãos para compartilhar a prestação de serviços (entendido que o Poder Público, sozinho, “não dá conta!”); ii) Construção de consensos em torno de valores, ideias e planos para o futuro; iii) Estruturação de projetos; iv) Articulação de parcerias (governo-sociedade-empresas); v) Mediação/arbitragem de (alguns) conflitos.

Embaixador (fora dos limites municipais: Estado, País, Mundo) para: i) Reivindicar direitos (verbas do OGU, p.ex.); ii) Agir mercadologicamente; iii) Articular parcerias estratégicas (com entes fora dos seus limites).

Esse rol é aplicável a prefeitos de quaisquer municípios. No caso dos portuários, sempre “uma janela aberta para o mundo”, então, em grau máximo.

Próximo: “Arrendamento: Quem é o contratante? Quem o contratado?”

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