Números que impressionam: 2,4 km de pontes, 14 km de túneis, 57 km de anéis viários, 360 km de linhas de transmissão, 379 km de rios dragados, 1.500 km de gasodutos, 3.490 km de hidrovias, 5.142 km de rodovias e 9.739 km de ferrovias. 88 grandes obras, em 31 projetos (11 envolvendo o Brasil). 8 eixos de integração - incluindo três corredores bioceânicos (Pacífico e Atlântico). US$21 bilhões de investimentos. Tudo até 2022. É a meta da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), organização congregante dos 12 países do continente, fundada em 2007.

Maior integração e bem-estar dos 400 milhões de habitantes do continente são os objetivos maiores, em coro declarados pelos dirigentes. Mas teme-se pela sustentação do crescimento anual de 5,3% da última década (superior à média mundial - 3,9%), ameaçado por crescentes gargalos infraestruturais. Para tanto, deseja-se reverter a queda de investimentos (4% do PIB na década de 80; atualmente 2,3%) até atingir patamar de 5-6% para “mudar a cara do continente”.

Foto: Agência Brasil

Imagem mostra reunião prévia da Unasul no Equador, em abril de 2010

A maior parte do proposto não chega a ser novidade. Trata-se, como é praxe no continente e no Brasil (PAC, “Avança Brasil”, “Brasil em Ação”, etc.), do sincretismo repetitivo de projetos pré-existentes; em muitos casos pouco além de meras ideias ou intenções. Neste caso, o rico e bem apresentado trabalho, sistematizado pela Fiesp (352 páginas), divulgado em recente seminário em São Paulo, ainda carece de clara explicitação da relação causa-efeito (projeto/obra com problema a ser resolvido), da correlação entre eles, de quantificação de resultados esperados e das viabilidades. Também de avaliações ambientais, hierarquização e faseamento de implantação, e fontes de recursos.

É novo, porém, e devem ser saudados nessa empreitada, dois aspectos imprescindíveis à transição do powerpoint/vídeo ao concreto: política e recursos.

Ainda jovem (cinco anos), a Unasul pode vir a ser o embrião de instrumento para romper rusgas, ciúmes e a tradição histórica continental de isolamento, importante para se estabelecer prioridades, coordenar os esforços nacionais e atuações junto a organismos transnacionais.

O envolvimento do setor privado nessa articulação, Fiesp à frente, certamente contribuirá para reduzir as barreiras à participação privada, estruturar arranjos e canalizar recursos privados, hoje disponíveis ou articuláveis, fundamental para que tais intenções/metas sejam efetivadas (malgrado decisões reestatizantes, aqui e acolá).

Mais uma tentativa. Sempre uma nova esperança.

Próximo: “Porto = Aeroporto?”

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