O tema desta coluna parece não se relacionar com transportes. Parece: as opções que forem feitas – e estão sendo feitas muitas, nestes dias – afetarão profundamente a economia mundial. Ditaduras de quaisquer cores estão sendo rejeitadas, mas o liberalismo em suas nuances pura ou "neo" também não convence, por não controlar as bolhas especulativas ou a ganância dos bancos.

O fato é que, após séculos de experimentação política, o mundo ainda não chegou a uma conclusão, e mesmo soluções que parecem estáveis são abaladas pelas mudanças econômicas internacionais. Se a função do Estado é regular o mercado, promover a segurança e a justiça, a felicidade comum e a prosperidade humana etc., o fato é que o mundo vê pioras crescentes em todas essas áreas, ao mesmo tempo em que esgota, por malversação, os recursos naturais.

Depois de socialismo e capitalismo neoliberal, uma nova experiência surge, aliás aqui mesmo no Brasil. Desde 2001, cada vez mais o Estado passa a atuar não apenas com base na lei, mas baseando-se diretamente nos princípios fundamentais expressos na Constituição, interpretando-os em cada caso. Isso pode gerar um Executivo mais ágil para responder às situações inesperadas, mas deixa mais fluído o limite entre certo e errado na hora de se julgar tais atos.

E ainda quase dispensa a manutenção do Legislativo, de há muito o mais ineficiente dos Três Poderes - o que pode ser um bem, considerando o nível intelectual e moral de muitos dos nossos legisladores. Mas sobrecarrega o já assoberbado Judiciário e deixa o Executivo à mercê desses julgamentos. E, com o desequilíbrio, pode abrir caminho para novas formas de ditadura

E como fica o Mercado, frente a esse novo Estado? Como fica o transporte de mercadorias, frente a esse mercado? Façam o polimento de suas bolas de cristal, senhores...