Há 52 anos foi publicada uma obra-prima da sociologia. Com o título A Imaginação Sociológica, o sociólogo marxista Charles Wright Mills convidava sociólogos e “homens comuns” a tornarem a Ciência Social o denominador comum da vida cultural da sociedade contemporânea.

Seu principal problema era mostrar como os homens comuns, e também os sociólogos, precisavam compreender que a Ciência Social é aquela que torna possível a transformação de problemas pessoais em assuntos públicos.

Ao olhar o mundo atual, podemos ver diversos movimentos que utilizam da prerrogativa de Wright Mills. Entre os mais tradicionais estão o movimento feminista e o movimento negro. Mas, no Brasil, mais especificamente em São Paulo, um movimento vem tomando as ruas a partir das reclamações diárias de jovens estudantes, que andam nos trens, metrôs e ônibus da cidade, com atendimento precário e tarifas altas.

O Movimento Passe Livre traz para rua a máxima de Wright Mills, de transformar um problema pessoal de pegar ônibus lotado e pagar caro por isso, em um assunto público, da necessidade de se rever a política de transporte da capital paulista. Liderado por estudantes secundaristas e universitários, o movimento ganhou as ruas de São Paulo em janeiro e despertou a atenção de políticos experientes, com a forma como mobilizou não apenas estudantes, mas também trabalhadores que vivem o mesmo problema.

Ao olhar sociologicamente este movimento, podemos dizer que Wright Mills com certeza estaria feliz com esta experiência, ao saber que hoje os “homens comuns” sabem bem que seus problemas não são apenas pessoais, traduzindo-os em lutas e movimentos por direitos coletivos. 

Referência bibliográfica
MILLS, C. Wright. A Imaginação Sociológica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1965.

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