"Não podemos aceitar que o destino do Porto [de Santos] seja decidido lá nos palácios e corredores de Brasília". A posição é da deputada federal Rosana Valle (PSB-SP), eleita para o Congresso Nacional ao obter 106.100 votos no pleito realizado em 2018. Consultada pela reportagem do Portogente, ela destacou que a administração do Porto não pode ficar de costas para a vida do Município.

Deputada Rosana Valle
Rosana em seu gabinete parlamentar - Foto: Assessoria da Deputada

Leia também
ATP defende alterações na regulação e novo processo na escolha de diretores, sem interferências políticas
* Regionalização é bem vinda para integrar a administração do porto e o município onde está instalado

As viagens internacionais que realizou como jornalista da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo na Baixada Santista, proporcionaram experiências e conhecimentos sobre a gestão portuária em nações desenvolvidas. "Passei 15 anos visitando os principais e mais eficientes portos do mundo e não vi nenhum modelo de porto feito totalmente pelo governo central, como ocorre em Santos". Uma dessas viagens foi a Lisboa, em Portugal, onde um fato a fez aceitar o convite para entrar na vida política: conheceu um jovem nascido em Santos, formado em Comércio Exterior e com pós-graduação em Logística. Por causa da falta de oportunidades de trabalho na cidade natal, ele resolveu morar no exterior e estava trabalhando em um restaurante para sobreviver, deixando para trás amigos, familiares e toda a capacitação na qual investiu tempo, esforços e dinheiro.

O Porto de Santos, avaliou Rosana, não cumpre o papel de ser um indutor de desenvolvimento e empregos na Baixada Santista, pois historicamente sofre com a centralização do poder da gestão da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) em Brasília. "O modelo de portos descentralizados funciona em diversos países e eu acredito que precisa ser aplicado aqui. Muitas reuniões, painéis e audiências públicas foram realizadas para a discussão sobre o melhor modelo, e grande parte dos estudos aponta que uma melhor solução seria a gestão tripartite, entre Estado, Município e União".

Ainda conforme a deputada, o modelo de gestão dos portos necessita ser amplamente discutido entre o Poder Público, empresários, trabalhadores e sociedade civil, debate para o qual o Portogente contribui com esse WebSummit Nova Abertura dos Portos. Rosana diz que sua primeira ação nesse sentido foi criar a Frente Parlamentar para o Futuro do Porto de Santos, a partir da qual levantará informações junto ao setor portuário e levará a discussão para o Ministério da Infraestrutura, atualmente comandado pelo engenheiro Tarcísio Gomes de Freitas.

Para Rosana é fundamental, também, associar o Porto de Santos a uma política industrial e de comércio exterior permanente e estratégica, que abrace a ideia de parques industriais agregados ao litoral paulista. "Acredito que o Porto de Santos tem potencial para ir além da sua função básica de armazenagem e transbordo de cargas. Os grandes portos do mundo, notadamente os asiáticos - reconhecidos por sua eficiência e rentabilidade -, se valem do conceito de porto-indústria. Eles atraíram empresas e investidores estrangeiros, que ocuparam locais próximos dos portos para produzirem seus produtos para a economia regional e também para exportarem seus produtos, utilizando a mão de obra local". Na opinião da parlamentar, a descentralização é necessária para discutir a estratégia de atração de empresas globais e transferência de tecnologia, considerada por ela uma prioridade de seu mandato.

Pin It
0
0
0
s2smodern
powered by social2s