"O novo governo tem a oportunidade de prover aos portos brasileiros algo que foi feito apenas de forma precária até hoje: uma política nacional". A análise é do executivo nas áreas de RH, Gestão de Projetos, Planejamento e Qualidade e ex-gerente da Brasil Terminal Portuário (BTP), Hudson Carvalho, convidado pelo Portogente a participar de um debate sobre a descentralização da gestão dos portos brasileiros.

Ele considera que as diretorias das Autoridades Portuárias precisam ser dotadas de autonomia "para gerir o negócio, mantendo foco e usando bem os recursos gerados pela própria companhia".

hudsoncarvalho

Portogente - É desejável implantar a regionalização dos portos entendida como descentralização e autonomia das administrações dos portos do sistema portuário nacional? Por quê?
Hudson Carvalho - Sim, bastante desejável, para que os portos possam ter atendidas necessidades locais que estão ligadas ao tipo de negócios gerados por sua hinterlândia, que acabam por definir a vocação de um porto. A regionalização é bem vinda também por contribuir fortemente com a integração entre a administração do porto e o município onde está instalado, por ser, via de regra, um grande gerador de empregos diretos e indiretos, vindos de sua cadeia de fornecedores de produtos e serviços. Nesse modelo é fundamental que a diretoria da Autoridade Portuária possua autonomia para gerir o negócio, mantendo foco e usando bem os recursos gerados pela própria companhia. Além disso, a administração local é muito mais fácil de ser fiscalizada, ficando menos sujeita à falta de transparência e lisura em suas ações. Apesar de ser favorável a um modelo descentralizado de gestão, entendo que deva haver uma coordenação nacional que defina, organize e defenda os interesses do País para a atividade portuária como um todo. Por que não um órgão enxuto, com perfil de Agência Nacional, que inclua parte das atividades da Secretaria Nacional de Portos? Em resumo: regulação nacional, fiscalização e definição de políticas macro por conta da administração pública. A gestão de cada "negócio porto", descentralizado, gerido preferencialmente por representantes dos próprios operadores portuários.

Portogente - Ao abordar a regionalização dos portos sob a ótica da produtividade, qual o melhor entendimento da sua modelagem: geográfica (seu entorno) ou logística (sua hinterlândia)?
Hudson Carvalho - Pensando exclusivamente sob a ótica da produtividade entendo que a modelagem baseada na logística seria mais conveniente para garantir que o maior número de envolvidos tenha seus interesses representados na empresa de gestão que venha a ser criada para administrar cada porto.

Portogente - Deve ser alterada a forma de seleção dos executivos da alta direção dos portos, hoje centralizada no Governo Federal?
Hudson Carvalho - Sem dúvida alguma, por critérios de seleção que levem em conta a formação e a experiência profissional. O conjunto de competências que esses profissionais devem apresentar será diverso, cada um conforme sua área de atuação (Comercial, Institucional, Finanças, Operações, Recursos Humanos, etc), mas a capacidade de trabalhar baseado em metas, na produção de resultados, na redução contínua de custos e desperdícios, na melhoria contínua dos processos e na capacidade de pensar fora da caixa (e às vezes como se a caixa não existisse) deverão ser comuns a todos.

Portogente - Como deve ser estabelecida a duração do mandato de uma diretoria de Autoridade Portuária? A permanência dos diretores deve ser condicionada ao cumprimento de metas?
Hudson Carvalho - Condicionada ao cumprimento de metas, sem dúvida. Quanto a estabelecer duração do mandato, não creio ser necessário. Enquanto estiver produzindo resultados, fica, como na iniciativa privada.

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