informações cedidas por Luiz Alberto Costa Franco, ex-diretor da Codesp, consultor de planejamento e execução de dragagem

De certo, a maior preocupação de autoridades portuárias que dependem da dragagem para o acesso a seus terminais é o “índice de assoreamento” na área de interesse. Pode-se afirmar que a existência de assoreamentos está vinculada às contribuições advindas de áreas, à montante à assoreada, resultantes de aportes de material sólido por carreamentos, por transporte em suspensão e floculação, por deslizamentos e por todos esses, em razão de processos erosivos nas suas proximidades.

No caso do Porto de Santos, há praticamente dois segmentos hidrodinâmicos distintos com pouca ou quase nenhuma influência entre si. O primeiro pode ser considerado a área da Baía de Santos, Canal da Barra e o segundo, o do Estuário, Canal do Estuário.

Nas décadas de 70 e 80, mais precisamente nos fins de 70 e inicio dos 80, vários estudos geraram a compreensão dessas compartimentações e serviram, inclusive, como base dos estudos técnicos que precederam o Projeto de Aprofundamento dos acessos ao porto de Santos.

No Canal da Barra (Baía de Santos), destacamos:

- O “Relatório final sobre a viabilidade de novas áreas de dragagem na região de Santos” - realizado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE TECNOLOGIA NUCLEAR (Instituto de Pesquisas radioativas) para o D.N.P.V. N (INPH);

- O de “Sedimentação atual nas adjacências da Ponta de Itaipu e Baía de Santos: implicação na escolha de locais de lançamentos de material dragado” - Waldir Lopes Ponçano (IPT) e Vicente José Fulfaro (Instituto de Geociências da USP), apresentado no 1º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia - Rio de Janeiro, Agosto/76;

- O referente ao estudo de “Sedimentação atual do Estuário e Baía de Santos: um modelo geológico aplicado a projetos de expansão de zona portuária” - Vicente José Fulfaro (Instituto de Geociências da USP) e Waldir Lopes Ponçano (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, S.P.) - apresentado no 1º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia - Rio de Janeiro, Agosto/1976.

Com base nesses estudos, chegou-se a conclusão de que a maior parte do material despejado na zona de bota-fora, na região da Ponta de Itaipu onde era feito o despejo na época, é sedimentada rapidamente, ficando uma parcela de finos em suspensão.

O material sedimentado tinha uma movimentação em direção ao Norte e a parte em suspensão seguia o sentido das correntes, com sua deposição ocorrendo dentro de um pequeno intervalo de tempo.

Por outro lado, através da análise de imagens de satélite e de parâmetros sedimentológicos, de amostras de superfície do fundo coletados nas adjacências da Ponta do Itaipu, foi verificado o aporte de material da plataforma continental para o interior da baía de Santos.

Com efeito, a análise da imagem do satélite sugeriu uma corrente costeira principal no sentido sudoeste-nordeste, defletida na região de Santos, com sólidos em suspensão, de acordo com a figura que recuperamos e apensamos a seguir.

A movimentação dos sedimentos na Baía de Santos e adjacências é comandada pela movimentação das correntes dessa região que, por sua vez, é produto de interferência das águas oceânicas com as provenientes do estuário (trabalho –“Sedimentação atual nas adjacências da Ponta de Itaipu e Baía de Santos: - Waldir Lopes Ponçano (IPT) e Vicente José Fulfaro- Agosto/76). Esse resultado está perfeitamente de acordo com a movimentação do material de fundo, verificado nos estudos feitos pela COMPANHIA BRASILEIRA DE TECNOLOGIA NUCLEAR - CBTN e pelos atuais estudos apresentados pela Fundespa.

Tal circunstância explicaria o transporte de material mais fino em suspensão pela corrente oceânica e, no encontro com o fluxo do estuário onde forma-se uma zona de quebra da energia de transporte, é sedimentado (trabalho- “Sedimentação atual do estuário e Baía de Santos- Vicente José Fulfaro (Instituto de Geociências da USP) e Waldir Lopes Ponçano (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, S.P.) - Agosto/1976.

Esse processo explica o alto índice de assoreamento do canal da barra na curva entre os alinhamentos A e B.

Já no canal do Estuário, o “Projeto de execução do Canal de Acesso da Cosipa à Piaçaguera” - Milton Vargas - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - 1º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia - Rio de Janeiro, Agosto/76, faz menção ao processo de sedimentação existente, originando uma vasa muito mole, com alto teor de umidade, de 250 a 400% e que, em virtude do seu estado líquido, tende a fluir em planos inclinados, dispersando-se o material, finalmente, em todas as direções em planos horizontais.

Consideramos pertinentes essas considerações preliminares, visto que:

- O PDO, Polígono de Disposição Oceânico, não por mera coincidência, está localizado na área de influência da corrente costeira principal e que, ao passar por Santos, deflete na direção Leste. A corrente secundária que adentra à Baía, tomando a direção norte, seria a provável causa do “engordamento” das praias, como sugerem os PBAs;

P7 – Programa de Modelagem Operacional da Pluma de Sedimentos- A modelagem da pluma de sedimentos foi realizada para os meses de março a junho de 2010. A equipe do programa observou que as ocorrências ficam próximas às quadrículas de descarte, não atingindo a costa;

P8 – Programa de Monitoramento do Perfil Praial- Completado um ano de monitoramento, observa-se, segundo a coordenadora do programa, que os resultados obtidos até o momento estão compatíveis com as condições meteorológicas-oceanográficas e dinâmica sedimentar atual, não sendo possível associar tais processos a possíveis impactos da dragagem de aprofundamento.

- O alargamento e aprofundamento do canal tende, por um lado, a reduzir a intensidade de corrente ao longo do traçado e, por outro, a ampliar a intrusão da cunha salina no canal do estuário, fazendo com que o processo de floculação ocorra cada vez mais à montante. Consequentemente, os locais preferenciais de assoreamento ocorrerão nas áreas de perda de energia no sentido de montante para jusante, obedecendo, então, a seguinte ordem: bacia de evolução da Cosipa, canal de Piaçaguera (canal da Cosipa), bacia de evolução da Alamoa e na área fronteira ao vértice do Paquetá (canal de Bertioga).

- O assoreamento, assim verificado, constitui-se numa vasa muito mole, com alto teor de umidade, de 250 a 400% e que, em virtude do seu estado líquido, tende a fluir em planos inclinados, dispersando-se o material, finalmente, em todas as direções em planos horizontais- (Projeto de execução do Canal de Acesso da Cosipa à Piaçaguera - Milton Vargas - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - 1º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia - Rio de Janeiro, Agosto/76).

Assim, já durante a implantação das novas cotas de 15m no Trecho IV, haverá uma contribuição consistente de assoreamento proveniente do Canal e Bacia da Cosipa, sobretudo, considerando- se que os mesmos se encontram a menos de 12m de profundidade.

- Tendo o desenvolvimento do canal e a implantação do cais obedecido o mesmo sentido das correntes, não há efeito erosivo, destas, sobre as margens. Verifica-se, entretanto, a ocorrência de aprofundamentos junto às Pedras de Teffé e Itapema. Nestes casos, o sentido da direção das correntes, tanto na enchente quanto na vazante, incide diretamente nos obstáculos constituídos pelas pedras, formando vórtices que erodiram o solo em torno delas.

O mesmo fenômeno vem ocorrendo junto ao casco soçobrado do navio “Ais Giorgis”, à proa e que se encontra avançando no canal dragado. Essa situação é preocupante, pois a Pedra de Itapema, situada à montante do navio, oferece certa proteção com relação à incidência da corrente de vazante, que apresenta maior intensidade. Como o derrocamento das pedras já está contratado e os serviços devem ser abreviados pela metodologia e equipamentos previstos para esta obra, poderá ocorrer o desmonte e remoção da Pedra de Itapema antes da retirada do navio. Tal situação poderá ocasionar aceleração do processo de erosão, possibilitando, até mesmo, o deslizamento dos destroços para dentro do canal dragado.

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