"Desde o início dessa breve história de cinco séculos foi logo ficando patente a dificuldade que temos de construir modelos compartilhados de zelo do bem comum."

A frase acima foi extraída do capítulo Patrimonialismo, do livro "Sobre o autoritarismo brasileiro", da professora Lilia Moritz Schwarcz. É uma aula, sem dúvida nenhuma, de como o Brasil atual está nas suas "raízes" do mandonismo patriarcal, da escravidão de mais de três séculos, da concentração de grandes terras nas mãos dos amigos "do rei". Por isso, é fundamental que tenhamos a coragem de nos olharmos no espelho e encarar de frente o quanto precisamos fazer para nos tornarmos uma nação desenvolvida.

Vitória 4Arquivo do Observatório Cidade e Porto, foto de Julia Eugênia Guelli.

Ainda como diz a professora e pesquisadora, "em seu lugar, várias formas de compadrio, a moeda de troca dos favores, o recurso a pistolões, o famoso hábito de furar a fila, de levar vantagem, ou a utilização de intermediários, se enraizaram nesta terra do uso abusivo do Estado para fins lucrativos. O certo é que persistirá no Brasil um sério déficit republicano enquanto práticas patrimoniais e clientelistas continuarem a imperar no interior do nosso sistema político e no coração de nossas instituições públicas".

Ela lembra: "República significa "coisa pública" - bem comum -, em oposição ao bem particular: a res privata. Nossa República nunca foi republicana. [...] Nos falta ainda mais, o exercício dos direitos sociais, qual seja, a participação na riqueza coletiva: o direito, ou melhor, o pleno exercício do direito à saúde, à educação, ao emprego, à moradia, ao transporte e ao lazer."

E uma das formas de "passarmos a limpo" o nosso passado tão presente para evitar contaminações no que pretendemos seja o futuro do País, é o diálogo, o debate, a conversa. Por isso, Portogente se sente especialmente recompensado, nesta semana, ao contribuir para um debate fértil sobre a relação cidade, porto e pessoas a partir da entrevista com a professora da Universidade Vila Velha (UVV), de Vitória (ES), Favia Nico Vasconcelos. Em pouco tempo, estávamos numa "rede" de diálogo, trazendo a palavra do presidente da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol Brasil), Carlos Cesar Meireles Vieira Filho: "Uma leitura necessária para o entendimento entre a relação entre portos e cidades como espaços comuns de um ecossistema onde todos têm e precisam ter protagonismo. Abre-se (ou reabre-se), com esta entrevista, um novo ciclo de diálogos e debates sobre esse tema."

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Antônio Marcelo Barros Ribeiro, especialista em gestão portuária, também trouxe sua mensagem: "Parabenizo Portogente, Vera Gasparetto, e Flavia Nico pela excelente entrevista. E aqui em São Luís não é diferente! Certa vez estive numa reunião com o prefeito de São Luís Edivaldo Holanda, e na ocasião ele me indicou que a “cidade de São Luís é de costas para o Porto”. De fato, poucas são as políticas públicas com o objetivo buscar essa integração tão importante. Por aqui o desafio é grande!"

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A pesquisadora Vera Gasparetto, autora da entrevista com Flavia Nico Vasconcelos, arrebatou: "A entrevista com a Flavia segue no caminho de buscar as inteligências desse país que buscam fazer a diferença, construir novas práticas que busquem o equilíbrio entre seres humanos e natureza. Pessoas como vocês são um alento para nós,profissionais da comunicação que tem necessidade de levar ao conhecimento do público um pensamento diferente, novo, crítico, que além de informação contribui para educar."

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website