Portogente abre espaço para que executivos das maiores empresas exportadoras instaladas no Brasil abordem os principais desafios que enfrentam no universo logístico-portuário. O objetivo é estimular o debate entre usuários de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, visando ao aprimoramento da competitividade do País no comércio internacional.

Na entrevista a seguir, o diretor de relações governamentais da Toyota do Brasil, Ricardo Bastos, destacou os custos adicionais da montadora com o transporte de veículos e de autopeças, causados pelas deficiências da malha rodoviária brasileira. Ele também citou questões burocráticas ligadas à gestão dos portos e às dificuldades para que instalações portuárias obtenham as licenças necessárias para operação. Bastos lamentou, ainda, a quase inexistência de integração entre os modais de transporte em todas as regiões do País.

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Diretor de relações governamentais da Toyota do Brasil, Ricardo Bastos - Reprodução: YouTube

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Nem tudo são queixas, todavia. O diretor da Toyota ressaltou que o Brasil "é uma das maiores economias do mundo, tem uma indústria consolidada, abundância de recursos naturais, um enorme mercado consumidor interno e, especialmente, uma estrutura demográfica e uma densidade favorável de parques automotivos". É um País atraente, portanto,  para os objetivos comerciais da montadora.

As operações da Toyota em território brasileiro englobam quatro plantas industriais no estado de São Paulo, sendo duas de veículos (Indaiatuba e Sorocaba), uma de peças (São Bernardo do Campo) e uma de motores (Porto Feliz), além de três centros de distribuição (Guaíba/RS, Vitória/ES, e Suape/PE), um escritório de representação em Brasília (DF) e um centro de distribuição de peças em Votorantim (SP).

Bruno Merlin, Portogente - Quais são os principais gargalos logísticos enfrentados pela Toyota no Brasil? Qual a influência desses gargalos na competitividade dos produtos fabricados pela companhia no comércio internacional?
Ricardo Bastos, Toyota do Brasil - O País é hoje essencialmente rodoviário, o que justifica que grande parte dos gargalos nas operações de transporte de cargas se encontrem justamente em questões ligadas à infraestrutura das nossas estradas. Soma-se a isso questões burocráticas ligadas à gestão dos portos, que poderiam priorizar a otimização de processos para obtenção das licenças necessárias, por exemplo, e a ausência de integração intermodal. O maior impacto para nossa competitividade no cenário externo está ligado à eficiência, por vezes prejudicada pelos pontos destacados acima.

Unidade da Toyota do Brasil em Indaiatuba, interior de São Paulo
Unidade da montadora em Indaiatuba - Foto: site oficial da Toyota do Brasil

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Bruno Merlin - Quais são os principais custos em relação ao transporte - seja dos veículos a exportar ou dos suprimentos importados - e os obstáculos encontrados nos portos ou fronteiras no Brasil?
Ricardo Bastos - Concentrado em sua maioria no modal terrestre, o transporte de cargas sofre alguns custos que vão além do já conhecido problema de altos valores de fretes praticados no País. No caso da Toyota, que transporta veículos e autopeças em território nacional, podemos mencionar custos extras originados por danos em veículos durante o deslocamento da carga. Diante das condições das estradas em muitos pontos pelo País, os produtos sofrem, por vezes, danos que resultam em custos de reparo antes mesmo de o produto ser comercializado ou chegar ao seu destino final. Contramedidas já foram adotadas pela empresa a fim de minimizar tais impactos, como adaptações na disposição dos carros no momento do carregamento dos caminhões (a fim de evitar o eventual choque de uma unidade com outra durante o deslocamento), mas são soluções que apenas minimizam, não tratam do problema em sua raiz.

Além das condições de acesso rodoviário aos portos e a não permissão para cabotagem com navios internacionais, a produtividade e infraestrutura portuária nacional também devem ser consideradas como impactos logísticos. Neste sentido, uma gestão de portos mais próxima da iniciativa privada e que contribua, de fato, para ganho em eficiência nas operações, como um caminho mais direto para a obtenção das licenças necessárias, por exemplo, contribuiria muito para um processo mais fluído de deslocamento de cargas.

Bruno Merlin - O que torna o Brasil uma nação atraente para os negócios da Toyota?
Ricardo Bastos - A Toyota acredita que o Brasil tem um dos maiores potenciais para evoluir e se tornar um player global ainda mais competitivo. Tal potencial está integralmente ligado a um horizonte de longo prazo que proporcione às empresas planejar investimentos e focar em aumento sua competitividade, e o Programa Rota 2030 tem esse papel. Este país é uma das maiores economias do mundo, tem uma indústria consolidada, abundância de recursos naturais, um enorme mercado consumidor interno e, especialmente, uma estrutura demográfica e uma densidade favorável de parques automotivos.

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