Transporte / Logística

Alcides Antônio Maziero tem 55 anos de idade, dos quais 37 dedicados à profissão de caminhoneiro. Casado e pai de “uma linda filha”, segundo suas próprias palavras, este morador de Ribeirão Pires (SP) representa todos os profissionais do volante no Dia do Motorista, comemorado todo dia 25 de julho, mesma data do padroeiro da categoria, São Cristóvão.

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Autoridades, trabalhadores e demais agentes envolvidos no setor portuário já apontaram inúmeras causas para os sucessivos acidentes fatais que ocorreram no Porto de Santos. Aumento na movimentação de cargas, redução dos ternos e falta de atuação da Cipa foram alguns dos itens citados. No entanto, nenhuma ação poderá trazer de volta a vida dos oito trabalhadores mortos desde novembro do último ano, somente no cais santista. Para o técnico em segurança do trabalho, André Luís Lopes, quando acontece uma morte em ambiente laboral, há uma série de indicadores que já alertavam que uma fatalidade estava prestes a ocorrer. Lopes, que já atuou como auditor nas áreas de segurança, saúde e meio ambiente, além de  ter lecionado sobre os temas, cita a Pirâmide de Frank Bird para explicar a ocorrência de acidentes fatais. Em pesquisa feita no final dos anos 60, o inglês Bird analisou mais de 1.750.000 acidentes em 21 grupos industriais diferentes para chegar a conclusão de que, para cada acidente grave acontecem 10 ocorrências que geram lesões leves ou não incapacitantes, 30 acidentes sem danos físicos (apenas materiais) e 600 incidentes sem danos visíveis. O sistema também pode ser explicado como um “efeito dominó”. O técnico em segurança do trabalho ressalta que o acidente fatal é estatístico e, como prevenção, é preciso quebrar a seqüência de acontecimentos. “Eu sempre expliquei isso aos meus alunos. Quando cai uma pedra do dominó, ela vai derrubando outras”. A única solução, de acordo com Lopes, é retirar as demais pedras antes que o efeito chegue a um acidente fatal. A ação, levando para o lado prático, é trabalhar no que já ocorreu para evitar que incidentes similares acabem ocasionando danos aos trabalhadores. Equipamentos precários, não-utilização de EPI’s e alta rotatividade no cais são alguns dos fatores citados por Lopes para que as tragédias aconteçam sucessivamente. “Era previsível que algo viesse a acontecer. A mão-de-obra é um agente causador de acidentes, pois na área portuária ainda há pouco conhecimento da atividade”. Questionado sobre a necessidade de conscientização dos operários, um dos temas levantados em reunião da recém-formada comissão de segurança do Porto de Santos, Lopes alega que é imprescindível que todos estejam conscientes, não apenas os trabalhadores. Transportadoras e caminhoneiros não recebem qualquer orientação de como trabalhar para evitar acidentes durante o transporte de cargas, especialmente as perigosas, exemplifica. “Quando eu vejo um caminhão , já passo longe”. Ele acredita que as empresas se preocupam apenas com resultados imediatos e necessitam elaborar um planejamento macro. “O ganho nem sempre é uma relação direta. Ninguém pensa na questão humana, mas quando não acontecem acidentes em uma empresa, a imagem dela melhora muito”. Lopes argumenta que é um hábito perigoso de muitas empresas o reaproveitamento de materiais de segurança sem qualquer orientação, aplicando-os em serviço sem saber se estão agindo de forma adequada. Além do prejuízo para os trabalhadores, Lopes lembra que os acidentados são um ônus para o Estado. “As empresas têm que arcar com o ônus durante todo o processo de recuperação do funcionário acidentado”, defende, discordando da legislação atual, que exige a participação da empresa responsável em apenas parte do processo.  Para ele, não é possível ter qualidade sem segurança, nem segurança sem qualidade. E remete, mais uma vez, ao aspecto humano. “Será que alguém colocaria um parente para trabalhar nas condições em que os portuários estão trabalhando?”. Em termos de qualidade, o técnico enfatiza que o porto é uma área quimicamente agressiva e que é essencial ficar atento a todos os detalhes dos equipamentos. Em diversas ocasiões, um material inadequado aplicado, geralmente por questões de economia de custos, em costuras ou juntas de um equipamento pode gerar um acidente gravíssimo. Cintas Atualmente, Lopes é gerente de qualidade da Tecnotêxtil – fabricante de cintas de poliéster para amarração e elevação de cargas – e integrante de comissões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que elaboram procedimentos para o setor. O uso de cintas de poliéster garante a eficácia do serviço de movimentação de mercadorias, desde que seus parâmetros e carga máxima sejam respeitados, ressalta o gerente de qualidade. Ele revela que acontecem cerca de 26 mil acidentes com cabo de aço anualmente. “Nossa atuação não resolve os problemas, mas tira uma peça do ‘dominó’, gerando melhorias para a segurança”. O empresariado, para Lopes, precisa atuar nessa frente a favor da segurança. Ele afirma que há muitos fabricantes de equipamentos que não cedem informações e orientação aos usuários, para que estes fiquem dependentes de seus serviços. “A amarração não pode ser o mistério que é hoje. Reter informação é ruim. Quanto mais divide, mais se aprende”.

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Alterações na rotina de trabalho e aumento do volume de movimentações de carga são as razões apontadas pela subdelegada da Delegacia Regional de Trabalho (DRT) de Santos, Rosângela Mendes Ribeiro Silva, para a preocupante freqüência de mortes no Porto de Santos. Após a ocorrência de oito mortes nos últimos oito meses, sendo seis delas em 2007, Rosângela procura adotar novos procedimentos na fiscalização das operações portuárias. Entretanto, fica claro que nem ela está segura de que os acidentes fatais poderão cessar e parar de gerar mais “viúvas do porto”. "Falamos em acidente zero, mas pelas dimensões do Porto de Santos isso é difícil. Estamos querendo minimizar os acidentes em 70%, 80%".

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A onda de acidentes fatais no Porto de Santos motivou a diretoria do Sindicato dos Estivadores de Santos a revelar à população da Baixada Santista o que acontece da porta dos terminais para dentro. Quase a totalidade dos familiares e moradores de Santos não conhece a realidade vivida todos os dias por milhares de portuários que compõem a força do Porto de Santos.

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Quem nunca viu a famosa placa de sinalização “Pare, Olhe e Escute”, instalada no cruzamento das linhas férreas? Pois é, mas até mesmo cumprir esta simples determinação tem se tornado difícil na Baixada Santista. A falta de sinalização, o vandalismo contra o patrimônio e o descaso das autoridades geram acidentes e o receio em alguns motoristas que, em pelo menos três cidades da Baixada Santista, são obrigados a cruzar a linha diariamente, pois os trens de carga rumam incessantemente ao Porto de Santos.

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