"O escândalo envolvendo a alta cúpula da gestão pública da empresa Valec é mais um capítulo da promiscuidade entre os agentes públicos e os empresários do setor, que paralisa investimentos e multiplica os ganhos privados injustamente." A declaração é do presidente da Frente em Defesa das Ferrovias (Ferrofrente), engenheiro José Manuel Ferreira Gonçalves, ao comentar as notícias sobre a Operação De Volta aos Trilhos, que investiga crimes de lavagem de dinheiro por meio das obras da Ferrovia Norte-Sul.

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Desdobramento da Lava Jato e e parte das operações O Recebedor e Tabela Periódica, a etapa atual baseia-se em acordos de colaboração premiada assinados com o Ministério Público Federal em Goiás (MPF) pelos executivos das construtoras Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez, que confessaram o pagamento de propina ao então presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha e à localização de patrimônio ilícito qiue estaria sendo mantido em nome de terceiros.

Com isso, na última semana, Polícia Federal e o MPF obtiveram dois mandados de prisão preventiva contra o filho de Juquinha, Jader Ferreira das Neves e o advogado Leandro de Melo Ribeiro, suspeitos de continuarem a lavar dinheiro oriundo da corrupção, e outros sete mandatos de busca e apreensão nas casas dos investigados e sedes de empresas e quatro de condução coercitiva de ouros suspeitos em Goiás e Mato Grosso.

Juquinha e seu filho já foram condenados na operação Trem Pagador a, respectivamente, 10 e 7 anos de reclusão por formação de quadrilha e prática de cartel, além de fraudes e lavagem de dinheiro fruto de corrupção nas obras de construção da Ferrovia Norte-Sul, quando Juquinha presidia a empresa pública Valec. Ambos aguardavam o julgamento de seus recursos em liberdade. Mas investigadores da operação de Volta aos Trilhos acreditam que os crimes de lavagem de dinheiro teriam sido continuados.

"A prisão dos gestores deve ser o começo de uma profunda investigação que revelará os acordos antirepublicanos envolvendo a prorrogação das concessões ferroviárias, e esperamos que tudo isso resulte na proibição da renovação das concessões vigentes e na implantação de um novo marco regulatório", diz o presidente da Ferrofrente.

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