O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Administrações Portuários do Estado de São Paulo (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, tão logo soube das demissões de funcionários de carreira no Porto de Santos repudiou a atitude da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). "Um ano e dois meses após passar o facão e demitir sem justa causa dezenas de empregados, a Codesp volta a proceder arbitrariamente novos desligamentos", criticou. As novas dispensas ocorreram na última sexta-feira, 18 de maio. A liderança lamenta, ainda, que a empresa não tenha honrado compromisso assumido em 2017.

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Portogente - Como o senhor ficou sabendo de mais essas demissões?
Everandy Cirino dos Santos - Um engenheiro entrou em contato com o nosso sindicato e informou que recebeu uma notificação assinada pelo Gerente de Administração e Recursos Humanos. No documento consta que em reunião de Direxe (Diretoria Executiva), de 17 de maio, foi decidido pela rescisão de contrato de trabalho, sem justa causa. Esse engenheiro nos contou também que questionou a diretoria da Codesp sobre o motivo de sua demissão. E a resposta foi contenção de despesas porque os cinco empregados são funcionários de carreira, têm mais de 30 anos, são aposentados e alguns já receberam a contribuição do Portus.

Portogente - Contenção de despesas?
Cirino - Diante dessa resposta, o Sindaport faz uma sugestão à diretoria da Codesp: se a Autoridade Portuária do Porto de Santos quer mesmo enxugar a máquina, como está dizendo, que comece então pelas dezenas de pessoas sem concurso público, apadrinhados políticos, indicados por esse e aquele que ocupam atualmente o quadro de empregados da empresa. Alguns que hoje desempenham atividades na Codesp, a nosso ver irregularmente, já foram alvos de inquérito administrativo em empresas por onde passaram.

Portogente - O que vocês fizeram a partir dessa informação?
Cirino -
Assim que recebemos tal informação, entramos em contato imediatamente com os advogados do Sindicato, Eraldo Aurélio Rodrigues Franzese e Cleiton Leal Dias Jr. Solicitamos ao Departamento Jurídico do Sindaport a análise de ação coletiva para que os demitidos possam voltar ao quadro de empregados das Docas. Os demitidos são associados ao Sindaport, no entanto são representados por outras entidades. Por essa razão, vamos nos reunir com os demais sindicatos para que juntos possamos tomar uma posição contra essa ação da Codesp. Também solicitamos ao vereador santista Benedito Furtado (PSB) para que, em conjunto com o presidente da Comissão de Assuntos Portuários da Câmara Municipal, Zequinha Teixeira (PSD), tomem uma posição sobre a atitude da Codesp em demitir companheiros com mais de 30 anos de dedicação e serviços prestados à Codesp. Vale lembrar que no ano passado quando ocorreram as demissões, a diretoria da companhia assumiu o compromisso em não efetuar novos cortes sem justa causa. Infelizmente, a diretoria não honrou sua palavra. Os deputados federais da região, Beto Mansur (PRB) e Papa (PSDB), também foram acionados para que possam intervir junto aos ministérios dos Transportes e do Trabalho sobre essa arbitrariedade.

Portogente - Quais as ações pretendidas para reverter as demissões e evitar novas dispensas?
Cirino - O Sindaport já está em contato com os demais sindicatos para que uma assembleia seja realizada com toda a categoria. Diante das novas demissões sem justa causa ocorridas agora, temos que dar um basta, pois, se antes a Codesp era considerada um porto seguro, hoje sabemos que os anos de dedicação não servem de nada para a atual diretoria da empresa. Os sindicatos não podem aceitar que demissões sem qualquer critério continuem ocorrendo. Por isso, já solicitamos aos integrantes do Consad (Conselho de Administração) que avaliem a reintegração dos companheiros desligados. O Ministério Público do Trabalho também será acionado para que tome as providências necessárias.

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