Para os engenheiros e técnicos, que estudavam e fabricavam as locomotivas, no início do século XIX, o grande problema era a tração dessas máquinas. Após os primeiros experimentos ficou comprovado que as rodas da locomotiva patinavam sobre os trilhos, principalmente em rampas ascendentes, as subidas. Apesar do grande esforço das máquinas, estas não conseguiam mover o trem adequadamente.

De Trevithick a Stephenson ocorreram inúmeros testes utilizando técnicas diferentes que criaram vertentes próprias dentro da história ferroviária e outras que foram simplesmente abandonadas.

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Richard Trevithick, após o feito de 1804 em Dowlais-South Wales, fez duas locomotivas para a Wylan Colliery em Newcastle, em 1805 e 1806, utilizando rodas com rugosidade para aumentar a aderência, invento que já tinha patenteado em 1802. Finalmente em Euston-Londres, em 1808, Trevithick em sociedade com Davis Giddy, construiu a Catch-me-who-can (pegue-me quem puder), uma pequena ferrovia circular, como um pequeno carrossel, para divulgar o novo invento. Entre 8 de julho e 18 de setembro do verão de 1808, eles cobraram um shelling (5 pences) do bilhete de cada visitante que queria andar de trem.

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Em 1812, John Blenkinsop, gerente da Middleton Colliery em Leeds, e o construtor de locomotivas Matthew Murray da Tenton, Murray and Wood, de Water Lane, utilizaram o já conhecido sistema de coroa e pinhão, e construíram um engenho diferente: uma locomotiva com uma roda dentada que se encaixava  numa placa com  sulcos para esses dentes, colocada entre os trilhos. Estava criada a cremalheira cujo esforço substituía 50 cavalos e 200 homens a um custo de £ 380 (380 libras) incluindo £ 30 de royalty.

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Também em 1812, o engenheiro Willian Chapman e Edward Chapman, registraram a patente de máquinas estacionárias que tracionavam cabos e correntes. Jonh Buddle adquiriu a patente e tendo como parceira a Heaton Colliery de Newcastle construiu através da Butterley Company of Derbyshire uma locomotiva de 6 eixos movida a cabo. Estava inventado o sistema finicular, o qual foi utilizado em 1867 na Santos-Jundiaí pelos ingleses, para vencer a forte rampa da Serra do Mar, entre Piaçaguera na Raiz da Serra (Cubatão) e Paranapiacaba no Alto da Serra.

Em 1813, Willian Brunton construiu, também na Butterley de Derbyshire, uma locomotiva com braços mecânicos os quais ajudavam aumentar a aderência da máquina. Esse engenho esquisito não teve sucesso ficando apenas no relato da história da locomotiva.

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Finalmente Willian Hedley, também em 1813, descobriu que o segredo da aderência era distribuir a tração em mais eixos motores e construiu a Puffing (soprador) Billy, uma locomotiva com 4 eixos e 8 rodas. Essa locomotiva foi construída para a mina Wylan Colliery de Christopher Blackett, em New Castle. A ferrovia que atendia a mina de carvão tinha 5 milhas e custou £ 8.000 (oito mil libras).

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O engenheiro George Stephenson que em 1803, apenas com 22 anos já era superintendente da Killingworth Colliery, soube adequar as necessidades das minas de carvão às experiências realizadas pelos diversos inventores e desde 1816 já efetuava teste com máquinas a vapor, inclusive desenvolvendo partes mecânicas da suspensão e dispositivos térmicos das caldeiras. Seu trabalho culminou com a construção de uma linha férrea entre Stockton e Darlington, onde utilizou a máquina por ele construída. Essa máquina foi chamada de Locomotion, de onde derivou a denominação Locomotiva.  

Referências bibliográficas:

Encyclopedie des Chemins de Fer - François Get et Dominique Lajeunesse - Editions de la Courtille - Paris - 1980 - 557p.

BRINA, Helvécio Lapertosa. Estrada de Ferro. Belo Horizonte: UFMG, 1988.

Site: Trens & Cia. - Breve história das estradas de ferro.

Enciclopédia Barsa vol. 6 e 9, 1987

Enciclopédia Mirador internacional vol. 6, 1977.

Enciclopédia Delta Universal, vol. 6 e 9. 1985

www.locos-in-profile.co.uk/.../early5.html

http://fr.wikipedia.org/wiki/Rail

http://pt.wikipedia.org/wiki/Trem

www.poli.usp.br/d/ptr0540/download/aula2.pdf

www.dw-world.de/dw/article/0,2144,302636,00.ht

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