É discutível o sucesso pleno do plano de ampliação do Terminal Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), terminal da VLI no Porto de Santos (SP). O aprofundamento do canal de acesso, atualmente com -9,8 metros para -13,5 metros, vai enfrentar judicialização e controvérsias técnicas-ambientais difíceis de serem superadas politicamente. Misturados com o material dragado há abundância de sedimentos contaminados e a solução adotada para contornar o problema do destino final desse mateiral já é ultrapassada.

VLI

O terminal está situado em área de zoneamento ecológico econômico. Com turbulência junto à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), para autorização do espelho de água e funcionando com mandado de segurança, o Tiplam enfrenta graves questões de impactos ambientais. Ao enterrar e envelopar, em vez de tratar o material dragado contaminado, deixa um sério passivo ambiental às gerações que estão por vir.

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Compliance: mais que compromisso formal

Convém que um plano de ação deve ser analisado criticamente à luz da conjuntura do tema em tela. Discussões sobre desenvolvimento sustentável extrapolaram o limitado campo dos grupos ambientalistas e penetraram no mundo dos governos e nos negócios. Por isso a evidente preocupação das empresas, principalmente as de atuação global como a VLI, em assumir compromisso formal com a sustentabilidade. Enterrar poluição hoje é desnecessário e ecologicamente incorreta.

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Quem navega pela superfície das águas da bacia do terminal da VLI no Porto de Santos e vê sua imagem refletir como num espelho, não percebe a poluição oculta enterrada no seu fundo e que foi herdada do desenvolvimento industrial desenfreado. A sustentabilidade tornou-se definitivamente atitude de todos os setores da sociedade.

Em área próxima do atual terminal da VLI, funcionava, na década de 1970, uma fábrica que ficou mundialmente conhecida por "caso Rhodia", devido aos seus medonhos descartes de resíduo contaminado na cidade vizinha, São Vicente. A Rhodia foi processada e pagou indenizações de grandes valores.

Indubitavelmente, a VLI ao deixar de tratar adequadamente os sedimentos contaminados da dragagem do seu terminal, trata a governança corporativa apenas como um compromisso formal. O que a coloca à contramão da sustentabilidade e do futuro.

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