O modelo atual de autoridade portuária deve sincronizar a velocidade e a flexibilidade da competência logística - aberta a novas ideias e cooperação - com o processo de gerar valor, para otimizar a produtividade por meio da produção em rede.

Nos seus 128 anos de operação, e há um ano sob a administração Bolsonaro, o Porto de Santos vive o pior momento da sua história, na impressão do seu quadro de funcionários de longa carreira. Na opinião da sua comunidade também não faltam descontentamentos. Tudo indica que o valor que hoje entrega o principal porto do Hemisfério Sul contribui para a precarização logística da principal hinterlândia do Brasil. É preciso aplicar um freio de arrumação.

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Editorial
Ministério da Infraestrutura e a ordem dos portos do Brasil

Talvez seja mais fácil daqui obter dados consistentes dos objetivos do Porto de Roterdã, na Holanda, do que entender onde se quer chegar com as incertezas do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos (PDZ). Difícil atribuir eficácia à uma gestão ilhada deliberadamente à frente de uma atividade que envolve rede de negócios mundiais, integra modais, conecta ampla hinterlândia e atua em ambiente de paradigma de condomínios portuários.

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Nesse imbróglio administrativo, foi editada a resolução Dipre nº 44.2020, de 31/03/2020, da Autoridade Portuária, que dispõe sobre a regulamentação para enfrentamento do coronavírus na área do porto organizado. A despeito de nada ter sido acrescido às obrigações legais vigentes, a realidade nas frentes de operação dessa principal fronteira marítima do País é de exposição aos riscos da contaminação. Mesmo tendo sido detectados passageiros e tripulantes de navios infectados, há uma fiscalização muito ineficiente, como mostra a foto, tirada no dia 23-3-2020, por um funcionário do porto.

Estiva 1Foto: Cais do Porto de Santos em 23 de março de 2020.

O fato da Câmara Municipal de Santos estar pintada para a guerra contra o PDZ, apresentado como um ato discricionário da autoridade portuária, sem ter a clareza e o debate necessários, deveria preocupar o distanciado Ministério da Infraestrutura. Também pela primeira vez, um ministro da área demorou um ano de seu mandato para conhecer o principal porto do país. Há alguma coisa nisso fora do lugar. Por ser uma estratégia de interesse público que impacta muitos e múltiplos interesses, precisa ter clareza para todo mundo entender.

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Provavelmente, muita gente que viveu as últimas duas reformas portuárias, Leis 8.630/93 e 12.815/15, está incrédula da reforma anunciada dos portos. Entretanto, apesar da conjuntura política e da falta de projeto, o modelo atual de autoridade portuária não sincroniza a velocidade e a flexibilidade da competência logística com o processo de gerar valor para o cliente. Por isso, está datado.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website