A desinformação e o preconceito nunca foram boas companhias para uma pessoa, o que falar, então, para os poderes da República ou para os representantes eleitos? Nesse caso, a combinação da ignorância com a governabilidade é desastrosa porque pode se transformar numa tragédia humana.

O País, a exemplo do mundo, enfrenta uma batalha imensa contra um inimigo invisível que já atingiu uma parte considerável da cúpula do governo brasileiro, inclusive. Até o fechamento deste editorial, contabilizávamos sete mortes entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, 621 casos de Covid-19 e novas áreas de transmissão comunitária em território nacional.

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Num quadro desses, o que se espera das autoridades, sejam elas do Executivo, Legislativo ou Judiciário? Sabedoria, inteligência, respeito e responsabilidade, para começar. Ignorância e futrica, nessas horas principalmente, devem ser proibidas, vetadas, amordaçadas. 

Todavia, alguns se comportam como se estivessem no banheiro de casa e proferem, via redes sociais, impropérios que causam problemas diplomáticos para o Brasil. Desnecessários num momento tão aflito em que vivemos.

O vice-presidente Hamilton Mourão, nesta quinta-feira (19/03), afirmou que foi criado um constrangimento diplomático na relação entre Brasil e China que não representa a opinião e posição do governo brasileiro. 

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Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu desculpas à China, em suas redes sociais, em razão das acusações. “Em nome da Câmara dos Deputados, peço desculpas à China e ao embaixador pelas palavras irrefletidas do deputado Eduardo Bolsonaro. A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes”, ponderou o presidente.

O vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), enviou, também nesta quinta-feira, um ofício à Embaixada da China, destacando a experiência chinesa com o surto do coronavírus e manifestando solidariedade e respeito ao povo chinês. Segundo Anastasia, a iniciativa partiu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que está afastado de suas atividades legislativas, em recuperação de covid-19.

A carta afirma que a experiência da China será de “fundamental importância para o combate, no Brasil e no mundo, dessa grave enfermidade, sobretudo no tratamento prioritário ao fornecimento de equipamentos e insumos que possam ajudar na verdadeira guerra de que todos somos parte e, verdadeiramente, estamos do mesmo lado”. Anastasia também destaca a “sólida parceria” que já existe entre Brasil e China e pede que o teor da carta seja comunicado ao presidente chinês, Xi Jinping.

Informações do site MoneyTimes: "Enquanto as entidades ainda não se manifestaram, as ‘bases’ do agronegócio inundam as páginas de conversas por aplicativo, entre os quais o Whatapp. Teve quem o classificou, no grupo da consultoria AgroAgility, de “vagabundo, tentando estragar um trabalho de vários anos”, se referindo às negociações prolongadas e difíceis com os chineses até que o Brasil chegasse ao sucesso atual nas relações comercias."

Tem um sábio ditado popular que diz: "Não quer ajudar, não atrapalha."

A China e o Brasil
Interessante acompanhar o que diz a Agência Brasil sobre as relações comerciais entre os dois países: "A China é a maior economia do Brics, com um PIB cerca de US$ 15 trilhões. No plano mundial, o PIB da China só é menor que o dos Estados Unidos. No comércio exterior do Brasil, a China ocupa o primeiro lugar como destinatário das exportações brasileiras e também o primeiro lugar entre os países que mais vendem para o mercado brasileiro."

De janeiro a outubro de 2019, por exemplo, as exportações brasileiras para a China chegaram a US$ 51.53 bilhões, enquanto as importações daquele país atingiram US$ 30.07. Isso significa que o Brasil teve um saldo comercial de US$ 21.45 bilhões com a China nos dez primeiros meses de 2019.

A China figura entre as principais fontes de investimento estrangeiro direto no Brasil, com destaque para o setor de infraestrutura (sobretudo na geração e transmissão de energia e nas áreas portuária e ferroviária) e para o setor de óleo e gás, com participação importante nos setores financeiro, de serviços e de inovação.

Diversos bancos chineses atuam no Brasil, e o Banco do Brasil conta com agência em Xangai, desde maio de 2014. Trata-se da primeira agência de um banco latino-americano na China. Em junho de 2015, os países decidiram criar o Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva, no valor de US$ 20 bilhões, com vistas a fomentar investimentos em infraestrutura e logística, energia, mineração, manufaturas e agricultura.

 

 

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website